terça-feira , 21 novembro 2017

A CULPA É DAS ESTRELAS

Na coluna dessa semana, vamos falar de que? Copa? Futebol? Nãããão… hehehehe Vamos falar novamente sobre cinema, porque Copa, Futebol e Neymar você pode acompanhar pela TV e pelos três mil e quinhentos meios de comunicação disponíveis pra você.

Gabi Florence
Gabi Florence

Mais uma vez abro espaço para minha querida amiga Gabi Florence dar sua opinião sobre a versão cinematográfica do best seller “A Culpa é das Estrelas”. Chega mais!!!

Oi Matheus, oi pessoal do site São Fidélis Notícias, tudo bem?! Que delicia estar aqui escrevendo novamente para vocês. Bem, vamos lá!

Como boa aquariana que adora ir na contramão das livrarias e Best Sellers da vida, ganhei ”A culpa é das estrelas’’ sem saber que ele se tornou um dos livros mais lidos do Brasil. Lançado em janeiro de 2012, o livro de Green é um fenômeno certificado por números: traduzido para 46 idiomas; 10,7 milhões de cópias vendidas e é a publicação campeã de vendas do Brasil.

Tanto foi o sucesso, que ele foi transformado em filme. Vamos falar sobre ele?

Quando a gente se apaixona por um livro, tudo é minuciosamente criado em nossas mentes e emoções, sendo assim, o filme na minha opinião, perde para o livro, que realmente é mais encantador. Faltou profundidade, muitas cenas essenciais foram arrancadas do livro sem dó, mas o tema e os atores maravilhosos e promissores (Shailene Woodley e Ansel Elgort) preenchem o espaço com honestidade e dignidade.

O câncer na adolescência e a perspectiva de morte, coisas que podiam nos levar a pensar num filme tenso e pesado ganham uma descontração que nos fez repensar o que realmente vale a pena na vida. Será que o que nós faz chorar é tão importante assim? Será que nossos paradigmas não podem ser simplesmente quebrados? Algum crítico escreveu que essa história era parecida com a de Romeo e Julieta. Como? Romeo e Julieta estavam separados pela vida. E esse casal estão JUNTOS pela vida, eles não estão se vitimizando e nem tendo um final melodramático OKAY? (E esse OKAY? vocês só vão entender se tiverem a coragem de sair de casa e irem do cinema! rsrsrs)

Ressaltando um ponto que foi importante pra mim: Paradigmas quebrados…. Porque não repensar nossa visão sobre o câncer como sendo uma coisa se não boa, bonita? O amor se não eterno, lindo. Mesmo em sua finitude? O que pode parecer triste em engraçado? A sociedade nos coloca em scripts do que ”é ou não écerto sentir ou se adequar” e nós ainda caímos nessa?! Por que?

Vamos ter um pouco de honestidade com nós mesmos. Singularidade com nossos sentimentos.

Posso afirmar que o escritor (John Green), acertou ao escolher o gênero de narrativa e o cineasta Josh Boone para dirigir sua obra. Como o filme não teve leitura prévia do livro eu consigo entender o porque da retirada de algumas cenas.

“A culpa é das estrelas” narra o romance de dois adolescentes que se conhecem (e se apaixonam) em um Grupo deanel-a-culpa-e-das-estrelas-okay Apoio para Crianças com Câncer: Hazel, uma jovem de dezesseis anos que sobrevive graças a uma droga revolucionária que detém a metástase em seus pulmões, e Augustus Waters, de dezessete, ex-jogador de basquete que perdeu a perna para o osteosarcoma. É Hazel Graze quem narra a própria história desde a descoberta da doença, que aconteceu quando ela tina 13 anos.

A leveza com que é contada a história somada à eficiência visual e o carisma dos atores torna-o pouco piegas. Revelando-se excelente também pela sua abordagem sobre o amor adolescente.

Hazel segundo seus pais, anda deprimida, a verdade é que ela se considera presa na sua posição de paciente de um câncer na tireoide com metástase pulmonar e oscila os seus dias entre ver TV e reler incessantemente o seu romance favorito, “Uma Aflição Imperial”. Apesar da ligação entre leitor, autor, ficção e não ficção, não ter sido muito comentada das criticas, é ela que puxa o enredo.

E é essa parte da trama que conduz o casal para assuntos como: O que acontece depois da morte? O que ocorre da vida de quem fica? E de como o casal tem medo de causar dor com sua morte aos que ficam e como eles conduzem essa ”falta” conversando em vida com seus parentes. Além é claro da viajem linda que o ‘’escritor” acaba proporcionando para o casal.

Mas o que me surpreendeu foi a forma com que o casal decidiu se encantar pelo mundo e por eles mesmos todos os dias das suas vidas, mesmo com a premissa da morte. Isso me fez repensar o que já sabia: “Todos temos dentro de nós um infinito particular’’, e o deles era tão maior do que a maioria das pessoas.

Um dos pontos fortes do filme é quando Gus pede para Hazel e seu melhor amigo fazerem um Elogio Fúnebre. Gus em vida, gostaria de escutar o que a namorada e o melhor amigo falariam sobre ele no seu próprio funeral, e a cena é extremamente emocionante, pois não é apelativa, pelo contrário, é madura e nos mostra que tudo é finito, nos faz pensar na morte de uma outra maneira. É de arrepiar.

1012016_390177431084013_83513910_nO mecanismo de defesa do casal é a auto-paródia Eles brincam o tempo todo. O fato de Hazel ter uma fraca capacidade pulmonar e de Gus ter perdido uma perna vira romance e piadas gostosas entre o casal, e isso é muito maduro e prazeroso de se ver, eles assumem sua posição no mundo, sem alarde, aproveitando de fato o agora.

A autopiedade e a vitimização passam longe no filme. E é exatamente isso que comove. O senso de humor deste filme foi engarrafado no melhor champanhe, basta assistir que sentimos as estrelas borbulhando do céu da boca.

”Alguns infinitos são maiores do que os outros”

Portanto, se decidir assistir ao filme, vá sem nenhum tipo de preconceito, sem pensar que lhe trará tristeza, pelo contrário, te trará é vida e compreensão. Okay? então Okay?!

E já que estamos falando sobre um filme, sobre escolhas… não poderia terminar sem citar uma das frases mais lindas que já escutei:

“Eu a amo, e sou muito sortudo por ama-la. Não dá para escolher se você vai ou não se ferir nesse mundo, mas é possível escolher quem vai feri-lo. Eu aceito as minhas escolhas, espero que hazel aceite as delas”.


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