A menos de um mês para a Copa, tradição de enfeitar as ruas fica no passado, em São Fidélis Para alguns moradores, a crise, a violência e a corrupção desmotivaram os brasileiros

Para alguns moradores, a crise, a violência e a corrupção desmotivaram os brasileiros

Fotos: SF Notícias

O futebol é considerado uma paixão nacional, mas, quando se trata da seleção todo esse amor pelo esporte parece ter esfriado no coração dos brasileiros. Faltando menos de um mês para o início da Copa do Mundo, o que se vê pelas ruas não é mais o que se via nas últimas edições da competição.

Os costumes dos vizinhos se unirem para enfeitar as ruas com fitas e pinturas temáticas, e das famílias e amigos se juntarem para assistirem aos jogos parecem ter ficado no passado. Em São Fidélis não é diferente e para alguns moradores, a violência, a corrupção, a crise e a derrota por 7 a 1 na última copa desanimaram a população a torcer.

“Hoje em dia ninguém se anima mais pra enfeitar e nem torcer pela nossa seleção. Acho que é relacionado ao modo em que nosso país se encontra. Com tanta violência e roubos pela parte política as pessoas acabam ficando desanimadas” – afirmou Andreá Pinheiro, moradora do Centro.

Ela lembra que quando era criança e morava na Ipuca, juntavam até sacolas para fazer fitinhas. Andreá disse ainda que em sua rua as pessoas não estão animadas, mas que junto ao marido vai enfeitar a casa.

A fidelense Marta também relata que há muitos anos na Rua Aníbal Campos, na Ipuca, os vizinhos se juntavam para entrar no clima da Copa. “Não gosto de futebol, mas na copa até assisto. Mas, era muito bom há muitos anos atrás. A gente enfeitava a rua toda, desenhava no asfalto. O povo desanima mesmo”.  

No mês passado o fotógrafo Bruno Sóta usou uma rede social para relembrar a tradição de enfeitar as ruas. “Antes as pessoas confraternizavam em época de copa do mundo, enfeitavam as ruas, reuniam os amigos para um churrasco durante a partida de futebol. Com o passar do tempo o calor humano está cada vez menor, e acredito também que as pessoas associam muito o futebol em época de copa do mundo com patriotismo, como o país anda mal, as pessoas estão desacreditadas” – disse.

Para ele a derrota para a Alemanha ficou para trás após a conquista do ouro nas olimpíadas. “O que incomoda e não foi superado é a dúvida se a derrota foi vendida, afinal houve toda uma investigação na FIFA” – declarou.

Assim como Andreá, Bruno também manteve as esperanças e pensa em torcer com a família ou enfeitar a rua: “Há muitos anos eu e minha família não fazemos isso. Confesso que após encontrar a imagem na internet fiquei bastante animado e tive vontade de chamar os vizinhos e juntos enfeitarmos a nossa rua. A ideia ainda está valendo, mas ainda não consegui tempo para por em prática”.

No comércio fidelense ainda não se vê muitos produtos com temas da copa, mas segundo Viviane, funcionária de uma loja de artigos para a casa, algumas pessoas já estão procurando. Ela conta que os apitos, fitas, camisas e outros itens só começarão a ser vendidos na próxima semana. “Nos outros anos começaram a decorar mais cedo, acho que o pessoal não está muito confiante depois do 7 a 1”.

Já para Regiane, que pretende decorar a casa, é importante ser otimista. “Eu acho que o povo tá assim devido a essa crise que estamos passando e essa roubalheira toda. Mas, não podemos deixar de ser otimistas, que dias melhores virão, temos que ter fé e esperança, afinal somos brasileiros, não desistimos nunca” – concluiu.


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