sexta-feira , 20 setembro 2019

AMOR E RESTOS HUMANOS

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Mais uma vez a nossa coluna vai falar sobre Teatro, mas nessa semana vamos passar longe da magia e do encantamento do teatro infantil. Hoje vocês vão conhecer um pouquinho do submundo de “Amor e restos humanos”, em cartaz no Rio, uma ótima dica pra quem vai vir pra cidade maravilhosa no próximo feriado, e para os cariocas amantes do teatro.

Sempre amei teatro interativo, aquelas peças em que você “literalmente” participa do espetáculo, lembro da primeira vez que fui a uma peça assim “não convencional”, adoro levantar da cadeira, entrar em vários ambientes, ver os atores bem de perto e participar – fisicamente de toda a ação. AMOR E RESTOS HUMANOS é bem assim, em sua nova leitura se transformou em um espetáculo itinerante, no qual o público acompanha os atores por vários ambientes da Casa da Glória.

“O apartamento de David e Candy está sempre movimentado. O entra e sai de amigos, amores e amantes acaba levando e trazendo conflitos dos mais unnamed (2)profundos e gerando episódios que compõem a trama de Amor e Restos Humanos. Bares, prostíbulos, parques e, como pano de fundo, a agitação da grande cidade, são encenados nos diferentes ambientes da Casa da Glória, um amplo espaço teatral do Rio de Janeiro. Os atores vão conduzindo o público, que ora está sentado na cadeira, como manda a tradicional relação espetáculo-espectador; e ora está de pé, tão próximo dos atores que acabam se tornando parte integrante da cena. A estrutura cênica é favorecida por uma história não linear, onde conflitos diversos convergem para um mesmo ponto central: o relacionamento entre o ex-ator e garçom homossexual David, que quer curtir a vida de forma mais superficial, e a crítica de literatura Candy, que busca desesperadamente um amor.

unnamed (1)É para o apartamento do casal de amigos que vão Lerri, que se apaixona por Candy; Robert, o homem por quem Candy se apaixona; Bernie, o problemático e misterioso amigo de David; e o ajudante de garçom Kane, que está em descoberta de sua própria sexualidade. Esses personagens tecem uma teia de conflitos de amor, sexo, amizade, sofrimento, alegrias, frustrações e desespero”.

Ufa! Ficou sem ar, né?! Eu também!! Ao ler esse release, me deu vontade de unnamed (1)ir correndo pro Rio assistir a montagem do Jean e conferir de perto o trabalho dos atores Betto Marque, Darla Ferreira, Elias de Castro, Juliana Ferraz, Indira Nascimento, Marcus Liberato, Patrick Orlando, Rafael Theóphilo e Vanessa Botelho.

Sou amigo do Patrick Orlando (Bloom?! rs) a muitos anos, acompanhei sua chegada de Passo Fundo – RS no Rio de Janeiro, e todo seu crescimento profissional nessa selva (maravilhosa) de pedras. Tenho muito orgulho de ver onde ele chegou e tenho certeza que ele vai muito longe. O Patrick bateu um papo comigo sobre a peça aqui pra nossa coluna, vamos conferir:

Patrick querido, e ai? Como é estar participando desse processo? Acho que esse trabalho é o mais visceral da sua carreira até o momento, certo? E seu Personagem? Como foi a construção? Você mudou inclusive fisicamente, né?!

E aí Matheus! Com certeza esse foi o trabalho mais visceral e mais intensounnamed (2) da minha carreira. Foi um mergulho de seis meses num processo transformador, intenso, de entrega e de desconstrução, onde nos aprofundamos nas questões das relações humanas. Encontrar o amor foi percorrido por um caminho mais fácil, o difícil mesmo foi encontrar e encarar os restos humanos que todos nós temos medo mas que é inevitável de passar por ele como a solidão, a desilusão amorosa, a violência, a doença, enfim, é um abismo sem fim que mexe com o nosso interior de uma forma tão intensa que nos muda por dentro. Nos faz enxergar o mundo com outros olhos. Agradeço muito ao diretor Jean Mendonça e produção do Banquete Cultural por fazer parte desse processo que me fez crescer não só como ator mas como pessoa. E em relação ao meu físico, eu sempre gostei de cuidar do meu corpo e o resultado dele hoje é de uma dedicação de cinco anos de muita disciplina.

Vocês estavam ensaiando a quanto tempo? O Processo foi prazeroso ou mais doloroso?

Foi um processo de seis meses de ensaio. Árduo e prazeroso mas foi difícil sim, até porque eu nunca tinha passado por uma entrega tão grande, de perder o pudor, a vergonha do próprio corpo, de enxergar as pequenas coisas, os detalhes, foi uma desconstrução pessoal que levarei comigo pra vida inteira. Sem contar na psique das personagens que são intensas, pois vivem num submundo denso e bem diferente da realidade de muitos. Nós tivemos uma série de workshops que também foram abertos ao público, que foi de grande importância na construção como: “Descontrução, desnudamento e fluxo energético” com o queridíssimo mestre Lourival Prudêncio (o conhecido e famoso Lolô) – que nunca deixo de salientar que foi com ele na CAL que aprendi o verdadeiro sentido de atuar – aprendemos e nos aprofundamos na técnica “Hasaboxes na construção de partituras cênico-corporais” ministrado por Fernanda Guimarães – da qual aprendi muito e sou muito grato por tanta energia boa e profissionalismo (aprendi a humanizar mais a personagem dentro da técnica) e também tivemos a honra de “A musicalidade da cena e a partitura do ator” com Fernando Bohrer que foi incrível! Sem contar que tivemos uma maravilhosa palestra com os mestres Ronnie Cardoso e Sarug Dagir, que discutiam sobre a “Pornografia e prostituição sob a ótica da literatura e da psicanálise”. E um sarau lindo de poesias no mesmo dia que contou com a presença da poetisa Betina Diniz e sua convidada e amiga Adriana Perim falando sobre o amor.

Na sua opinião, como você vê o teatro carioca nos dias de hoje?

Eu acho que o teatro carioca tá crescendo muito. São muitas coisas diferentes pra se assistir. Tem que ir atrás, ficar ligado, pesquisar, estar sempre informado do que tá rolando, porque senão a gente só fica achando que tem musicais comerciais na cidade. O que não é verdade por que tem muito grupo bom, não só daqui mas de fora, como também grupos independentes fazendo arte de uma forma incrível e inteligente.

E em Passo Fundo? A vida cultural lá é intensa?

Em Passo Fundo tem grupos teatrais muito bons que eu gostava muito de assistir e acompanhar quando morava lá. E sei também que abriu um bom teatro que está sempre levando novidade pra cidade. E sem contar que lá tem belíssimos eventos culturais como a Jornada Nacional da Literatura, o Rodeio Internacional de Passo Fundo, como também o Festival Internacional de Folclore que leva diversos países para mostrar a sua tradição e cultura local. A cidade é pequena mas tem cosias boas viu? É só se interessar.

Você gostaria de levar “Amor e Restos Humanos” para o Sul? Como você acha que o público gaúcho ia encarar toda essa temática abordada?

Sem dúvida alguma! Eu iria adorar apresentar AMOR E RESTOS HUMANOS para o público gaúcho. É uma temática forte e densa que fala do relacionamento humano e tem a temática gay como ponto principal. Acho que a arte faz as pessoas pensarem na vida, nas coisas, nos detalhes, muda o interior do espectador por menor que seja. E é por isso que eu amo atuar, vivenciar diversos personagens, aprender com eles e passar algo de bom ou ruim para que quem esteja assistindo se sinta tocado de alguma forma e reflita sobre todas essas questões. A sociedade precisa disso!

E pra finalizar, conta um pouco pra gente o que o público pode esperar de “Amor e Restos Humanos”.

Venham nos assistir. É um espetáculo que fala da complexidade do ser humano. São personagens que convivem de uma forma intensa com a sua sexualidade e são todos vítimas do tédio, da falta de amor e do distanciamento pessoal que os centros urbanos causam. Você acredita no amor? Ou está desacreditado? Sim, não? Não sabe? É só querer entrar nesse universo conosco e acompanhar cada ação da peça, se identificando ou não, nesse espetáculo itinerante! Movendo- se no espaço juntamente com o elenco e vivenciando o presente junto com as personagens pela incessante busca por um amor através do sexo e do isolamento. Eu convido a todos, em nome do grupo, para nos assistirem e embarcarem nessa história maravilhosa e tão atual escrita por Brad Fraser e dirigida por Jean Mendonça.

Muito obrigado Patrick, todo sucesso do mundo pra peça e logicamente pra sua carreira. Até semana que vem pessoal!!!!

AMOR E RESTOS HUMANOS

CASA DA GLÓRIA N98 – (ladeira da Glória) – Rio de Janeiro. Todas as sextas, sábados e domingos sempre às 19h

Temporada até 18 de maio.


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