Após denúncia de pescadores, Inea e Polícia Ambiental encontram dejetos sendo lançados no Rio Pomba, em Pádua "Olha o estado da água. Tá pior que leite. O fundo do rio chega a ferver" diz um dos pecadores

"Olha o estado da água. Tá pior que leite. O fundo do rio chega a ferver" diz um dos pecadores

Foto: Polícia Ambiental

Após a circulação de um vídeo feito por pescadores denunciando o despejo que seria proveniente da produção de papel no Rio Pomba, em Santo Antônio de Pádua, equipes do Instituto Estadual do Meio Ambiente, da 3ª Unidade de Polícia Ambiental do Parque Estadual do Desengano e da Guarda Municipal Ambiental de Pádua foram até a industria de papel citada pelos pescadores.

No vídeo, gravado em um trecho do rio conhecido como Quebra Anzol, na estrada que liga Pádua ao distrito de Campelo, no bairro Barro Branco, pescadores denunciam o despejo de um produto no rio. “Olha o estado da água. Tá pior que leite. O fundo do rio chega a ferver” diz um dos pecadores na filmagem. Em meio à crise hídrica, um vídeo que está sendo compartilhado em grupos de whatsapp e em outras redes sociais deixou os moradores preocupados.

Nossa redação enviou o vídeo para o ambientalista Arthur Soffiati. “Parece rejeito da fabricação de ácido lático. Em Campos, uma empresa holandesa lançava um rejeito muito parecido com esse. Foi difícil o Estado proibir seu lançamento. Assim, sem análise de laboratório, não é possível dizer do que se trata. Seja como for, a substância é estranha à água fluvial. Mesmo sem saber de que se trata, pode-se adiantar que ele deve provocar alterações físico-químicas ao rio e à pesca”, disse o ambientalista.

Segundo a Polícia Ambiental, um dos sócios da empresa apresentou toda a documentação exigida por lei para tal empreendimento. Ainda durante uma fiscalização, os policiais foram até o rio para verificar a saída de esgoto da empresa, e encontraram uma saída de água turva e uma grande quantidade de dejetos (substância de cor cinza) com aparência de uma suposta poluição. O caso foi registrado na 136ª Delegacia Legal de Pádua. O local será periciado pela Polícia Civil para descobrir qual a substância que está sendo lançada no rio.

Nossa redação entrou em contrato com a empresa citada. Segundo um supervisor que pediu para que o nome não fosse divulgado, equipes da Polícia Ambiental, do Inea e da Secretaria de Meio Ambiente estiveram na fábrica e não encontraram nenhuma irregularidade.


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