sexta-feira , 17 janeiro 2020

Área onde ossos de escravos foram encontrados é isolada na Praia de Manguinhos, em São Francisco IPHAN, que reconhece o local como sítio arqueológico, por se tratar de cemitério de negros escravizados, recomendou a sinalização e isolamento

IPHAN, que reconhece o local como sítio arqueológico, por se tratar de cemitério de negros escravizados, recomendou a sinalização e isolamento

A Prefeitura de São Francisco de Itabapoana, no litoral do Norte Fluminense, realizou o isolamento da área, na Praia de Manguinhos, onde foram encontradas ossadas humanas, que seriam de escravos. A orientação foi do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Servidores do Departamento de Cultura da Secretaria Municipal de Educação e Cultura (Smec) e da Empresa Municipal de Trânsito de SFI (Emtransfi) cercaram a área com fita zebrada e placa que adverte: “Sítio Arqueológico. Proibido Entrada”. A prefeitura informou que a medida visa preservar o espaço até que especialistas do Iphan possam realizar uma vistoria. Para esta quinta-feira (05/12) estava prevista uma reunião para definir as próximas ações em relação ao caso. Desde 1997, o local é registrado como sítio arqueológico pelo IPHAN por se tratar de cemitério de negros escravizados.

Fotos: Divulgação

Com as ressacas registradas no município na última semana, ossadas voltaram a aparecer na Praia de Manguinhos. De acordo com o Diretor do Departamento de Cultura da cidade, Paulo Roberto Cunha, que informou ao IPHAN sobre o aparecimento das ossadas, sabe-se que naquela localidade chegavam embarcações trazendo escravos, e que muitos seriam enterrados na praia. O IPHAN informou, em nota enviada ao SF Notícias no último dia 27, que está tomando providências para enviar um arqueólogo para inspeção do local no tempo mais breve possível. De acordo com o “Inventário dos Lugares de Memória do Tráfico Atlântico de Escravos e da História dos Africanos Escravizados no Brasil”, coordenado pelo Laboratório de História Oral e Imagem (LABHOI) da Universidade Federal Fluminense, a localidade também conhecida como “porto de Manguinhos” foi um importante local de desembarque clandestino de africanos mesmo após 1850. Além dos traficantes de escravos de São João da Barra, vila à qual pertencia as praias de Manguinhos e Buena, a região também era utilizada para desembarque de africanos por traficantes de Quissamã, Bom Sucesso, Carapebus e Macaé.

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