sábado , 10 dezembro 2016
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Carroceiros fidelenses preocupam-se com aprovação da proibição de uso de animais para transporte

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Fotos: Matheus Berriel.

Recentemente, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou em discussão única o projeto de lei 2.727/14, do deputado Dionísio Lins (PP), que determina a proibição do uso de animais de tração para transporte de materiais, cargas ou pessoas, em todo o estado.

A regra carroceiro 2não se aplica aos animais utilizados em áreas rurais e turísticas do Estado. Quem descumprir a norma será penalizado de acordo com a legislação vigente, relacionada a maus tratos aos animais. O projeto foi enviado para o Governador Luiz Fernando Pezão, que tem o prazo de 15 dias úteis para decidir pela sanção ou veto.

Em São Fidélis, há vários carroceiros que utilizam equinos para transportarem cargas. O serviço é solicitado pela população, que paga um determinado valor, de acordo com a distância do percurso e a quantidade da carga. Em conversa com o SF Notícias, alguns dos carroceiros mostraram-se preocupados com a possibilidade da aprovação de Pezão, que os deixaria completamente desempregados, sem o serviço autônomo.

– Eu recebi a notícia pela internet. Se acontecer, vai influenciar muito, porque sou só eu para manter minha casa. Eu tenho filho novo, um neto de um ano. Se tirar esse emprego, prejudica muito. Nós não temos outro emprego, o ganho é esse aqui. Já vivemos tantos anos com esse serviço que, se acabar, vai piorar muito para nós. Todo dia temos um ‘servicinho’. Tem vez que ficamos três dias sem ganhar nada, mas o trocado que aparece, recupera os outros dias. Dá pra manter e cobrir as nossas despesas. Agora depende deles. Vamos ver se o governo vai ter uma consideração por nós. Eles deveriam nos favorecer, não cortar nosso serviço. Se acabar aqui, como nós vamos arrumar? E a população também vai sentir muita falta, porque já está acostumada com o nosso serviço aqui. – disse João Batista de Oliveira Cortes, de 56 anos, que é carroceiro há cerca de 37 anos.

O discurso foi reforçado por José Carlos Coutinho de Oliveira, de 41 anos, que também está há mais de trinta anos sobre as carroças. Durante a entrevista, ele disse que o serviço é muito importante para eles, além de beneficiar os moradores das cidades, que sempre os procuram. Além disso, negou que haja um sobrecarrego de peso nas cargas, pelo menos na maioria dos casos.

1– Isso é uma coisa complicada, porque a gente depende muito deste serviço. Nós não temos outro ganho, dependemos disso aqui. É daqui que a gente tira o pão que leva pra casa. Se a gente perder isso, vai ficar todo mundo desnorteado, porque o desemprego é grande. Então, a gente depende disso aqui. Minha mulher faz uso de vários remédios, então a gente tem um gasto direto. Esse serviço mantém a despesa e também o tratamento dela. Nós temos mantido um ‘servicinho’. É um serviço inativo, que todo dia alguém precisa. Ajuda a gente e ajuda a população. Quando a gente vê que fica uma carga bruta, a gente divide a carga, pra não prejudicar o animal. Nós dependemos do trabalho, mas também dependemos do animal. Não podemos prejudicar o animal, temos que conservar, porque também precisamos dele. É tudo controlado. – contou José Carlos, entrando em concordância com José Pereira, de 47 anos, carroceiro há 12, que também falou sobre o controlamento do peso.

– Eu preciso muito trabalhar aqui. Minha mulher é deficiente, temos um casal de criança, pagamos um salário de aluguel. A pensão dela não dá, e eu tenho que cobrir com a carroça. O colégio das crianças, agora, a matrícula é R$ 900,00. Se a gente perder isso aqui, vai prejudicar muito. Pra mim não dá pra trabalhar fora, porque eu tomo conta das nossas crianças. Às vezes ainda pago empregada pra cuidar. O governo tem que ver o nosso sacrifício. Como nós vamos arrumar emprego? Vai ficar ruim. carroceiro 1Eles falam do peso da carroça, mas a gente coloca um peso razoável, nunca coloca peso demais. Se colocar muito peso, a gente sabe que prejudica o nosso animal, e acaba prejudicando a gente mesmo. Não temos como comprar outro animal. Quando o peso é maior, a gente dá duas, três viagens, ou divide com as outras carroças, pra fazer uma viagem só. – relatou José Pereira.

Para Agenir Cortes, de 62 anos, carroceiro há mais de 30, caso a lei seja aprovada, o governo deveria dar um benefício para eles, para ajudar no custeio das despesas, já que a maioria ficará sem ter a possibilidade de conseguir outro emprego, por já estarem com a idade avançada.

– Vai nos prejudicar muito, porque a gente vive disso. Nós não temos outra renda, nossa renda é só essa. Mantemos a família com isso. Não temos outro emprego, mais nada que dê renda. Vai ficar difícil. Eu não sei como o governo vai pensar em fazer, sei vai nos dar algum salário. Só aqui tem uns 12 carroceiros, todos sacrificados, dependendo deste serviço. Nós ficamos sabendo pela internet, ninguém comunicou nada. Emprego é difícil pra todo mundo, eu estou velho, com 63 anos, como é que vou conseguir um emprego? Pela idade que eu tenho, não aguento um serviço pesado, não tenho mais condições de pegar um serviço pesado. Minha família é toda dependente deste ‘servicinho’ que eu tenho aqui, que é pra manter minha família, meus compromissos de água, luz, impostos. Tudo isso eu mantenho com esse trabalho aqui, dependo dele. – disse Agenir.

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SFn

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