Corregedoria da PM desvenda esquema de propina em posto do BPRv em Campos

Fotos: Arquivo
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Vinte policiais sendo 3 oficiais e 17 praças que passaram pelo posto 12 do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv), em Campos, foram alvos de uma investigação da Corregedoria Interna da PM que durou cerca de dois anos onde foi apurado um esquema que chegou a movimentar, R$ 10 milhões em propina.

A investigação teve início a partir de uma denúncia anônima e foi conduzida pela 6ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM de Campos), que está submetida à Corregedoria Geral Interna.

A quebra de sigilo telefônico, autorizada pela Justiça, mostrou que um subtenente , chefe do Posto 12 entre 2009 e 2012, conversou via telefone 477 vezes com integrantes de uma Cooperativa de Transporte Alternativo e outras 184 com o gerente de uma empresa de Engenharia responsável por várias obras na região. Segundo o IPM, fica claro que o Subtenente “exigiu vantagem indevida de empresas”.

BPRV VINNICIUS CREMONEZ AA investigação apurou também  que a empresa “Águia Serviço de Vigilância, Gestão de Frota, manutenção predial em geral, situada no Bairro Parque Imperial, Campos dos Goytacazes/RJ, serviria como fachada para lavagem de dinheiro de todo o esquema do “arrego”, que também, segundo a denúncia, por mês movimentaria um valor entorno de R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais), sendo certo que tal empresa não possui, em qualquer órgão público, regularização para funcionamento, porém aparecem como proprietárias a esposa de um sargento e a esposa do Subtenente citado nas ligações acima.

Também chamou a atenção dos investigadores, a ausência de apreensão de veículos por longos períodos, sobretudo caminhões do tipo rodotrem, ou de outros automóveis que necessitam da Autorização Especial de Trânsito (AET) para circular. Um consórcio detentor de 50 caminhões, por exemplo, trafegou constantemente pela região sem a documentação durante o ano de 2011 — a situação só foi normalizada em outubro do ano seguinte —, mas não sofreu com abordagens do BPRv. Também não houve apreensões de ônibus pertencentes à uma empresa de transporte coletivo com a qual o um outro subtenente do posto manteve contrato de prestações de serviços.

Segundo a Coordenadoria de Comunicação Social da PM (CCOMSOC) Os oficiais envolvidos nas acusações serão submetidos a um “Conselho de Justificação” e os praças serão submetidos a um “Conselho Disciplinar.”  Cópias dos autos serão encaminhadas para a Corregedoria Geral Unificada, visando a instauração de Sindicância Patrimonial,  a fim de verificar se os patrimônios dos indiciados são compatíveis com suas rendas recebidas do erário Público.

Ainda segundo a Coordenadoria as empresas “beneficiadas” com o esquema de propina, poderão responder judicialmente, a partir da atuação da Corregedoria Unificada.

Atualmente os policiais envolvidos na denúncia estão distribuídos dentro da corporação da seguinte forma: 1 na DGEI (Diretoria Geral de Ensino e Instrução), 1 no GAM (Grupamento Aéreo Marítimo), 4 no 32º BPM Macaé, 4 no 8 BPM, 1 ainda no BPRV,  1 na Policlínica da polícia em Campos, 3 no 25º BPM Cabo Frio, 2 no 29º BPM Itaperuna e 3 no 36º BPM Pádua.

A investigação considerou que não houve elementos nos autos que apontem para indícios de crime, nem aspecto disciplinar a ser apreciado por parte de 11 policiais do posto.

Batalhão de Polícia Rodoviária Estadual Foto Vinnicius Cremonez 1a


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