quarta-feira , 17 julho 2019

Criada em São Fidélis nos anos 80, banda Arsenal fazia sucesso na região e em estados vizinhos Formação inicial contava com seis integrantes; Grupo atraia grandes públicos nos famosos bailes, tocando os sucessos da época

Formação inicial contava com seis integrantes; Grupo atraia grandes públicos nos famosos bailes, tocando os sucessos da época

Primeira reunião da banda

Se você era um adolescente/jovem nos anos 80 provavelmente sente saudade daquela época, quando era possível sair para se divertir sem se preocupar com tanta violência, quando os bailinhos e passinhos eram sucessos.

No meio musical, essa década também foi agitada. Em 1985 foi realizado o primeiro Rock in Rio, que além de grandes bandas internacionais, deu espaço a bandas brasileiras que conquistavam o público e bombavam nas rádios.

Em meio a este agito, surgiu em São Fidélis a banda Arsenal. Formada por jovens que tocavam as mais pedidas da época, a banda logo caiu no gosto do público e reuniu multidões nos famosos bailes.

Quem conta um pouco da história da Arsenal é o Welton Cozendey, que foi guitarrista do grupo até a terceira formação. Na última semana, ele usou a página de sua escola de música para publicar fotos do grupo e relembrar os “bons tempos”.

Primeira formação 

O “start” da banda ocorreu quando alguns dos primeiros integrantes assistiram a um show em um comício. “A gente tava meio que já se encontrando para tocar junto, fazer uma baguncinha e teve uma época que a gente foi a um comício, que tocou um grupo chamado Guri Som e ficamos encantados. A partir daquele momento que deu o estalo ‘vamos formar uma banda’, por volta de 83, 84″ – conta Welton.

A Arsenal começou com seis integrantes, Welton Conzendey na guitarra, João Roberto na outra guitarra, Adriano Rifan, outro guitarrista, que mais tarde passou a ser tecladista, Marcos Antônio Sidô, o Pogó, como vocalista, Miltoerley Ribeiro como baixista e Fidélis Pecly na bateria.

“Começamos sozinhos, mas a partir de um momento vimos a necessidade de ter alguém pra vender a banda. Tivemos a oportunidade de conhecer um empresário já aposentado de uma banda antiga que teve aqui em São Fidélis. Ele viu que tínhamos potencial e que podia ajudar. Foi o senhor Jorge Perazo, ele realmente deu uma impulsionada no grupo e foi assim que a gente começou a cair na estrada” – relata o guitarrista.

Shows pela região

A primeira apresentação foi em praça pública, em Cambuci, um show rápido como relembra Welton. Já o primeiro baile (foto ao lado) foi no Clube Esportivo Fidelense. “Para nossa surpresa lotamos o clube. Eu lembro que a gente nunca tinha visto tanto dinheiro. Aquilo a gente usou pra comprar equipamento”.

Tempo depois o tecladista e o vocalista compraram um ônibus e passaram a alugar para o grupo. “De vez em quando o ônibus dava um probleminha, mas por incrível que pareça era na volta, a gente conseguia chegar nos lugares e fazia a apresentação, a volta que era o triste. Mas, a gente levava aquilo tudo na brincadeira. Às vezes a gente tava passando Natal na estrada com carro quebrado e achando divertido” – relembra Welton. 

Além de municípios da região, o grupo se apresentou pelo sul de Minas e no Espírito Santo. “Cordeiro foi um lugar muito legal que a gente tocava sempre, tinha um pessoal que acompanhava a gente nos bailes. Aqui em São Fidélis algumas pessoas não participavam, não levavam muito a sério, mas isso é assim mesmo a gente não pode culpar, porque quem é de casa não é valorizado. Mas, quando a gente saía era muito legal, dávamos autógrafo, tinha fã clube”- conta.

Foto tirada em Nova Friburo

Segundo Welton, o baile começava às 23h e terminava às 4h da manhã com dois intervalos. Eles começavam com os sucessos da época, davam um intervalo e depois tocavam músicas lentas. “O baile era pedreira, tinha que tocar umas 60 músicas. De certa forma foi uma escola para todos nós. Eu fiquei nove anos no Arsenal, mas a banda durou mais” – relata.

Do rock nacional ao heavy metal

O grupo tocava desde músicas do Paralamas do Sucesso e Legião Urbana a AC/DC e Iron Maiden. “Era diferente, era agradável. A coisa tinha um glamour diferente. Havia uma inocência nas coisas, não tinha tanta maldade como se tem hoje em dia” – recorda Welton. 

Como toda boa banda, a Arsenal também tem suas histórias engraçadas. “Fomos tocar em Leopoldina uma vez, deram uma feijoada pra gente. Chegou de tarde deu uma dor de barriga na galera e cada um procurando banheiro e às vezes não tinha papel higiênico. Me lembro que na correria eu passei a mão num repertório de letras, que os cantores usavam para lembrar, e fui pro banheiro. Quando chegou a noite, a única música que o baixista cantava foi a letra que eu peguei. O baile cheio, ele foi lá pra frente, era uma música do Kiko Zambianchi (Primeiros erros), aí ele fez o início, nisso que ele procurou o papel e não achou, deu uma pane e ele começou a cantar em castelhano, um castelhano inventado. Foi de morrer de rir” – Welton relembra.

Possível reencontro

Anualmente, Welton promove uma apresentação dos alunos de sua escola. Para este ano ele teve a ideia de fazer com o tema anos 80. Os alunos tocariam músicas da época e ocorreria uma reunião da Arsenal. “Falei com o tecladista, guitarrista, cantor, mas o batera deu uma sumida, não sei se vou conseguir trazê-lo, porque ele nunca mais tocou depois que saiu do grupo. A gente tá começando a amadurecer a ideia. Se conseguirmos, vai ser legal tanto pra gente quanto para aqueles que nos acompanharam, que vão estar ali relembrando, curtindo” – afirma o guitarrista.


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