sábado , 10 dezembro 2016
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Da erosão à preservação: como o Noroeste Fluminense está recuperando áreas degradadas

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A região montanhosa é um dos principais fatores para o sucesso do café do Noroeste Fluminense, já que a altitude favorece o cultivo, mas o relevo elevado também traz desafios aos produtores. Quanto mais inclinado o terreno, maior é a chance de haver erosão, pois a chuva desce com rapidez e deforma o solo.

Com incentivos do Programa Rio Rural, da secretaria estadual de Agricultura do Rio de Janeiro, produtores do município de Porciúncula estão investindo na adoção de práticas simples, econômicas e que dão destino produtivo para a água de chuva, evitando perdas no cultivo do café: as caixas secas e os canais de contenção. Porciúncula tem mais de 30 projetos de construção de canais de contenção e caixas secas, a maioria deles em lavouras de café, base da economia local.

Apesar do nome lembrar um recipiente, as caixas secas (ou caixas de captação) são escavações no solo que ajudam na infiltração de água e consequente abastecimento do lençol freático. “Assim que uma enche, a água vai escorrendo para a outra, pois estão em alturas diferentes”, conta a técnica da Emater-Rio, Kênya França, executora do Rio Rural na microbacia Caeté.

De acordo com o secretário estadual de Agricultura, Christino Áureo, a técnica faz parte do enfrentamento da escassez hídrica a longo prazo. “O incentivo do Rio Rural permite a recarga das reservas naturais de água, o que vai aumentar a oferta desse recurso tão importante para a agricultura”, explicou Áureo.

caixa-seca-tO cafeicultor Erly Corrêia de Sá, da microbacia Perdição, recebeu recursos para construir sete caixas secas. Após a implantação delas, notou que as ramas e flores cresceram com mais vigor. “Isso me traz boa expectativa para a próxima safra, que espero ser maior do que as atuais 35 sacas”, revela. O tamanho das caixas é definido de acordo com o volume de água, o tipo de solo e a inclinação do terreno. Em média, a construção de sete caixas fica abaixo de R$ 3 mil.

Ainda de acordo com Kênya França, as caixas e os canais ajudam a manter a umidade no terreno, impedindo a perda de nutrientes e matéria orgânica, retirados durante a erosão. Além disso, fortalecem a vazão de nascentes e, ao diminuírem a queda de barrancos, conservam as estradas rurais e afastam o risco de assoreamento dos córregos.

Renovação verde 

De acordo com dados do Instituto SOS Mata Atlântica, o Noroeste Fluminense é a região com maior índice de degradação do meio ambiente no estado do Rio, com apenas 3% da vegetação nativa preservadas. Um dos motivos para esse histórico é a pecuária extensiva.

De acordo com o supervisor da Emater-Rio em Porciúncula, Flávio Gonçalves de Souza, os terrenos acidentados e a superlotação bovina prejudicaram o solo durante muitas décadas. “Técnicas ambientalmente sustentáveis, como as caixas secas e os canais de contenção, ajudam a inverter a lógica da degradação”, conclui.

SFn

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