segunda-feira , 5 dezembro 2016
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Em entrevista, delegada conta detalhes da morte de crianças em São Fidélis

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Fotos: Vinnicius Cremonez / Campos 24h

Vinte anos depois duas irmãs que moravam em um abrigo e foram separadas ao serem adotadas por famílias diferentes se reencontraram, mas o que seria uma história emocionante, acabou em um crime que chocou a população de São Fidélis, principalmente aos moradores da localidade afogados novo 1de Pedra Branca, zona rural.

Lá, quatro crianças se afogaram no Rio Paraíba do Sul. Duas delas – uma menina de 6 e outra de 11 anos – eram enteadas de José Renato Carlos da Silva, de 38 anos, que moravam na localidade onde tudo aconteceu, e as outras duas – Kauam Santana de Oliveira, de 9 anos, e sua irmã Kailane Dias Santana Souza, de 11 anos – eram “sobrinhos”. Os dois últimos vieram de Barbacena (MG) junto os pais. A mãe veio passar o Natal e reencontrar a irmã.

José contou que as quatro crianças se afogaram quando o mesmo “tocava animais”, mas a história mudou quando uma das sobreviventes, a menina de 11 anos, contou o que realmente aconteceu. Em coletiva de imprensa na 146ª Delegacia Legal de Campos, a delegada Poliana da Paixão Henrique contou que as crianças começaram a querer tomar banho de mangueira, e que a mãe das duas meninas que sobreviveram – não querendo gastar luz e água por causa da crise – falou para as crianças irem tomar banho de rio com o companheiro dela, o José. Ele então colocou as quatro crianças dentro de um barco e foi tocar um gado numa ilha do Rio Paraíba. Aí entram versões totalmente contraditórias.

afogados novo 2“As crianças relatam que elas foram levadas para o rio por ele, e deixada numa área um pouco funda, e depois ele não auxiliou as crianças. Ele relata que se afastou das crianças, e que não entrou dentro do rio. Ele sabe nadar, mas achou que quem poderia salvar as criança eram os bombeiros. Pra mim, duas crianças, uma de 11 e delegada paixãouma de 6 anos, não têm capacidade de articular uma versão coesa dessa forma. Eu ouvi elas separadas, depois juntas, e elas relataram a mesma coisa. Ele tinha o dever de evitar. Quem tem o dever de cuidar, de dar vigilância, vai responder como se tivesse praticado o fato, se nada fizer. A conduta omissiva dele causou aquele resultado. Não é culpa, mas há a omissão. Você tem consciência e vontade na omissão, e você aceita aquele resultado”, disse a delegada.

Em depoimento, uma das sobreviventes disse que José pediu para ela e sua irmã falarem que as crianças se afogaram sozinhas. Ela também contou que ele usou um pedaço de bambu para empurra o corpo do Kauam rio abaixo.

De acordo com a delegada, José Renato pode pegar de 6 a 20 anos de prisão. “Não necessariamente ele vai ficar esse tempo. Ele está preso hoje. O juiz vai analisar o flagrante e converter a prisão dele em preventiva ou temporária. Uma coisa é um indivíduo psicopata, que vai afogando crianças. Não é o caso dele. Por mais que seja um caso revoltante, que as pessoas queiram que a pessoa sofra na maior medida possível, juridicamente, os pressupostos da preventiva ou da temporária não estão claros”

afogamento marcas 2Ainda segundo a delegada, exames constataram que Kauam morreu decorrente de asfixia mecânica por afogamento, mas que no seu corpo foi encontrado marca de bambu, causada recente, com vida, antes dele morrer. “Ele estendeu a mão para que as duas crianças chegassem até ele, nem entrou na água. Se as crianças, que não sabiam nadar, estavam num lugar muito mais profundo, conseguiram chegar até ele, por que ele não foi até as crianças? O afogamento do Kauam não é tradicional. Normalmente a pessoa afunda, para depois submergir. O dele foi um afogamento atípico, não tem todos os sintomas claros”, concluiu a delegada.

O corpo de Kauam foi encontrado por três jovens que passavam pela estrada de terra na margem esquerda do rio, próximo da comunidade de Ernesto Machado. O corpo estava boiando. Já Kailane foi encontrada na manhã de sábado, em um sítio em frente à pedreira Morro Azul.

Nossa equipe voltou ao local na manhã deste domingo. As mães das crianças já não estão morando em Pedra Branca. As sandálias, luvas dos bombeiros e o barco usado naquele dia, permanece no local. José Renato vai responder por duplo homicídio doloso e dupla tentativa de homicídio.

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SFn

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