sábado , 10 dezembro 2016
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Esgoto a céu aberto incomoda moradores de bairros em S.Fidélis

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Fotos: Vinnicius Cremonez / Matheus Berriel

Ontem mostramos que em São Fidélis, existem diversas manilhas despejando constantemente, esgoto sem nenhum tipo de tratamento no Rio Paraíba do Sul, trazendo impactos ao meio ambiente.

Em São Fidélis, esgoto é despejado sem tratamento no paraíba

A situação no município é ainda mais grave, pois dois valões que cortam alguns bairros do município, estão totalmente poluídos, e o pior, um deles, está obstruído em alguns pontos, fazendo com que o esgoto despejado nele, fique parado por muito tempo, incomodando os moradores. Esse problema acontece no Valão da Esperança, que corta a localidade da Esperança e parte do Bairro Vila dos Coroados. Nele, a prefeitura por duas vezes, colocou manilhas para que fosse feito o recolhimento do esgoto das casas dos moradores, mas na primeira cheia do valão, várias foram quebradas e arrastadas.

vaão coroadosPara o ambientalista Aristides Arthur Soffiati, os dois valões que cortam o município, provocam um impacto maior ao meio ambiente do que as manilhas mostradas na matéria de ontem, pois eles já perderam a capacidade de autodepuração e permitem maior concentração de micro-organismos patogênicos. O despejo de esgoto num grande volume de água é menos nocivo que num pequeno volume de água. Mesmo assim, os dois devem ser evitados.

No bairro Vila dos Coroados, um pouco mais de 400 moradores estão se juntando e fazendo um abaixo-assinado para pedir que sejam feitas intervenções imediatamente no Valão da Esperança, onde além de focos da dengue, entulho e esgoto parado, o local já fez três vítimas fatais, que morreram por leptospirose. As vítimas trabalhavam na construção de um muro em uma residência às margens do valão, e foram contaminados pela doença após pisarem na água suja.

Para Rosane, que mora há mais de 25 anos próximo do Valão Catariana, o mal cheiro provocado pelo esgoto parado, tem incomodado aos moradores.  Segundo ela, o cheiro ruim sempre foi forte. “Esse valão sempre passou por aqui, agora eles fizeram um desvio que passa por trás da minha casa. Eu não gostei, como ninguém gosta de ter um valão passando perto de sua casa.”

genilton2Já Genilton da Silva Barcelos, nascido e criado na região aos arredores do valão, disse que o cheiro incomoda principalmente, quando chove. Ainda segundo ele, quando o valão enche, incomoda mais porque leva muita sujeira para as residências, e que os tocos de árvores, chegam a bater por baixo das casas que ficam por cima do valão, além de trazer ratos e outros bichos.

valao2“Eles fizeram um desvio. Quando a água vinha lá do palmital, o valão transbordava. Aí eles fizeram um desvio pra cima, que divide um pouco a água. Mas o cheiro incomoda mais nessa área, onde o valão fica aberto. Sempre onde deixam um espaço aberto, o cheiro sobe”, disse ele.

Ainda de acordo com Aristides, o esgoto de São Fidélis ainda é pequeno em relação ao do Rio de Janeiro ou de Campos, por exemplo, mas com uma Estação de Tratamento terciário, ele poderia ser resolvido. “Eu sei que a prefeitura dispõe de recursos financeiros para um investimento dessa ordem. Cabe à comunidade ou a uma instituição que a represente. Mesmo a um indivíduo acionar o Ministério Público, de preferência Federal, pois o Rio Paraíba do Sul é federal”.

valao3“O esgoto é todo jogado aí dentro. O governo que tem que ver uma forma de melhorar isso. Eu nem sei como mexe nessas coisas, mas o governo que tem que procurar dar jeito numa coisa dessas. É um cheiro enjoativo, mas vamos fazer o que? Quem mora em casa própria e não pode mudar, tem que aguentar”, concluiu Genilton.

Concluindo nossa entrevista, Aristides disse que atualmente, não se pode mais usar rios para livrar-se de águas servidas. Obrigatoriamente, cidades ou empresas de porte devem contar com estações de tratamento de esgoto em nível terciário, que elimina o fósforo e o nitrogênio, dois elementos extremamente poluentes.

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SFn