quarta-feira , 19 dezembro 2018

Família segue procurando por Diego, sequestrado em São Fidélis há 31 anos "No mesmo ano do sequestro, no mês do aniversário do menor Diego, 26 de Agosto 1987 os sequestradores ligaram para dar satisfação que Diego estava bem e que tinha ganhado bolo e bola para comemorar", lembra a irmã dele

"No mesmo ano do sequestro, no mês do aniversário do menor Diego, 26 de Agosto 1987 os sequestradores ligaram para dar satisfação que Diego estava bem e que tinha ganhado bolo e bola para comemorar", lembra a irmã dele

diego-desaparecido-4Era para ser apenas uma viagem de férias com a família para um sítio na localidade conhecida como Laranjal, em São Fidélis. Mas, o passeio terminou da pior maneira possível, quando Diego de Souza Ferreira Guimarães, com apenas dois anos de idade na época, foi sequestrado. O caso aconteceu no dia 7 de março de 1987. Diego, que ainda possui parentes em São Fidélis (Nelma Guimarães e Nilza Guimarães),  completaria 33 anos ontem (27/08).

Em entrevista ao SF Notícias, a irmã de Diego, Tatiane Guimarães, de 34 anos, contou que naquele dia viu uma mulher levando o menino. Esta mulher e seus dois irmãos chegaram a ser presos no município de Belford Roxo, quatro meses após o sequestro, mas foram liberados e a história segue sem um final. Tatiane disse que eles saíram do Rio de Janeiro para passarem as férias na casa de avó, Beltilde Barreto, mas o que seria alegria, virou tristeza.

“No mesmo ano do sequestro, no mês do aniversário deDiego, 26 de Agosto 1987, os sequestradores ligaram para dar satisfação que Diego estava bem e que tinha ganhado bolo e bola para comemorar. Foi a juízo,mas infelizmente por falta de verbas para pagar um bom advogado, os sequestradores foram absolvidos (mesmo com todas as provas, gravações). À ouvir do juiz…(pena que à senhora não teve condições financeiras para esse caso)”, postou Tatiane em seu perfil no Facebook.

desaparecimento-de-diegoReportagens daquela época, guardadas pela família, mostram que Diego teria sido visto embarcando em um ônibus em São Fidélis com destino ao município de Nova Iguaçu. A família conseguiu descobrir que o menino foi visto saindo de um ônibus com uma mulher no bairro dos Cavalheiros, em Duque de Caxias.

desaparecido-ghfDeste então, a família nunca mais soube da criança e continuam procurando por Diego. Em 2016, Tatiane e sua mãe, Maria Lucileide Ferreira de Souza, de 55 anos, foram até a Delegacia de Descoberta de Paradeiros da Polícia Civil (DDPA). Lá, com ajuda do artista forense Carlos Valadão, de 54 anos, a Polícia Civil está simulando a aparência física que crianças teriam atualmente, a partir de fotos da época em que desapareceram. É uma nova oportunidade, uma nova chance, um novo recomeço nas buscas por essas crianças.

Especializada em solucionar desaparecimentos, a Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) já resolveu 88% dos casos investigados. Entre setembro de 2014, quando foi inaugurada, e dezembro do ano passado, 2.491 pessoas desapareceram. Deste total, 2.192 foram encontradas pelos policiais da especializada e 299 casos estão em andamento.

A maior parte dos desaparecidos são adultos, entre 18 e 59 anos, que correspondem a 54% dos casos. Em seguida, estão os jovens, de 0 a 17 anos, que são 35% dos registros. Os idosos, com mais de 60 anos, representam 11%. Segundo a delegada da especializada, Elen Souto, cada grupo possui um determinado perfil de desaparecimento e demanda um modo de investigação específico.

delegacia-de-desaparecidos– Muitos adultos desaparecem por envolvimento com drogas ou transtornos mentais. Já crianças e adolescentes fogem de conflitos em casa ou são aliciadas para prostituição ou tráfico. Entre os idosos, muitos sofrem do Mal de Alzheimer e outras doenças mentais. Por isso, é importante que as pessoas portem algum tipo de identificação, que possa ajudar na investigação – explicou a titular.

Para Elen Souto, o ideal é que a pessoa com transtornos use um cordão ou pulseira apenas com o nome completo. Na DDPA, com a autorização da família, são produzidos cartazes com a foto, informações sobre o desaparecido e o telefone da delegacia. Os cartazes são de pessoas vulneráveis: menores de idade, idosos e adultos com transtornos mentais.

– Em cartazes com o telefone da família, uma pessoa mal intencionada pode tentar extorquir os familiares para devolver o desaparecido. Por isso, produzimos o material, que é entregue à família e publicado nas redes sociais – disse a delegada.

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