terça-feira , 21 novembro 2017

Fidelenses reclamam de falta de atendimento no Hospital Armando Vidal Diretor clínico da unidade explicou como são realizados os atendimentos

Diretor clínico da unidade explicou como são realizados os atendimentos

Fotos: Kariny Maia

Alguns moradores de São Fidélis estão reclamando da falta de atendimento médico no Hospital Armando Vidal (HAV). Eles relatam que procuraram a unidade, mas que não foram atendidos ou tiveram que esperar pelo atendimento por horas.

Um deles é o jovem Thyago Navega, ele conta que procurou o HAV na última quarta-feira (11/01), com dores nas costas e tosse, uma suspeita de pneumonia. Entretanto, ele não teria sido atendido, pois o médico estava saindo em uma transferência com uma gestante para Campos.

Uma senhora, que preferiu não se identificar, afirmou que estava com uma forte dor e dormência no braço e que foi avisada que o médico só estaria atendendo casos de urgência. Outro leitor disse que chegou a unidade com muita dor, mas precisaria aguardar, pois o médico de plantão só atenderia a partir das 14h.

Em entrevista ao SF Notícias, o Dr. Sebastião de Almeda Silva Neto explicou

como funciona o atendimento na emergência do Hospital e também falou sobre o número reduzido de médicos, que acaba afetando a qualidade do serviço.

“A gente atende criança, adulto, gestantes, ortopedia, mas na emergência nós somos clínicos, então o certo seria atender somente atendimento clínico. Só nisso somos falhos, aqui no hospital temos o número de um médico e dois acadêmicos que damos assistência, então não dá para ter qualidade dessa forma. Precisaríamos de no mínimo um pediatra, um ortopedista e dois clínicos” – Segundo ele, a direção do HAV já foi comunicada quanto ao número de médicos necessários.

Sobre a suposta falta de atendimento, Dr. Sebastião esclarece: “Não é que não tem atendimento, a pessoa é atendida, só não é atendida rapidamente. Por exemplo, em uma transferência, só tem um médico na emergência, o paciente chega grave, temos que correr com ele, normalmente para Campos, o que leva duas horas no mínimo. Então nessas duas horas não pode ter atendimento, porque o acadêmico não pode atender sem supervisão”.

O doutor explicou ainda que caso chegue algum paciente grave durante a ausência do clínico, o médico do CTI será acionado. “Se chegar uma emergência, não vamos deixar de atender, porque tem um médico no CTI, só que ele não pode sair de lá, pois é um setor fechado e o médico tem que estar ali 24h porque são pacientes muito graves. Então a gente cria um método para dentro do possível fazer o melhor. Seguramos um pouco os atendimentos e atendemos só as urgências” – disse.

O médico afirma também que muitos casos poderiam ser resolvidos em um posto de saúde: “Temos muitos atendimentos que classificamos como ambulatorial, que não teria necessidade de vir aqui para a emergência, seria um caso de posto de saúde, como vômitos ou uma amigdalite, por exemplo. Nesses casos pedimos para aguardar, quando não há risco de morte”.

O Dr. ressaltou ainda que como só há um médico na emergência em cada plantão, o mesmo precisa fazer pausas: “Outra questão é que como só tem um médico, temos que parar pra almoçar, é desumano se não pararmos para nos alimentar. O plantão dura 24h, se ficarmos 24h sem parar após 10h não estamos nem pensando mais. Tem uma necessidade fisiológica da gente descansar” – finalizou.


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