terça-feira , 22 outubro 2019

Há 53 anos, São Fidélis era manchete em jornal do RJ devido ao “aparecimento” de uma mula sem cabeça De acordo com a matéria publicada em 1966, o personagem do folclore estaria aparecendo para lavradores da Vila dos Coroados, exigindo que deixassem suas terras

De acordo com a matéria publicada em 1966, o personagem do folclore estaria aparecendo para lavradores da Vila dos Coroados, exigindo que deixassem suas terras

Ilustração do fidelense Rodrigo Tannus

Assim como em outras cidades da região, São Fidélis também tem suas lendas e histórias assustadoras. Entre as mais conhecidas estão a ‘Noiva da Ordem’, os túneis da Igreja Matriz, a do Itacolomy e os ‘ETs de Colônia’. Mas, no passado, quando o sobrenatural povoava o imaginário das pessoas, a cidade chegou a ser manchete do jornal Luta Democrática, de propriedade de Tenório Cavalcanti, devido ao “aparecimento” de uma mula sem cabeça, na Vila dos Coroados. O exemplar do jornal que divulgou a presença da mula na “Cidade Poema” foi digitalizado e pode ser consultado no site da Biblioteca Nacional. Na primeira página do exemplar dos dias 25/26 de setembro de 1966 lia-se a manchete: “Mula-sem-cabeça apavora camponeses de São Fidélis”.

De acordo com a matéria, o personagem do folclore estaria aparecendo para lavradores da Vila dos Coroados, exigindo que as vítimas deixassem suas terras. Conforme os relatos da época, o aparecimento da mula sem cabeça estaria relacionado à expulsão de ciganos da cidade. Outros acreditavam que o suposto animal seria na verdade um empregado por grileiros (denominação de quem falsificava documentos para se apropriar de terras alheias), para tomar as terras dos mais humildes. Confira a matéria retirada do jornal na íntegra após a foto:

“A população de São Fidélis, no Estado do Rio, está passando maus bocados, com o anunciado aparecimento de “mula-sem-cabeça” na localidade denominada Vila dos Coroados. Diversas denúncias foram levadas ao delegado regional Roullen Pinto Camilo, que prometeu matar o bicho em dois tempos. Não obstante, alguns roceiros mais apavorados e cheios de ingênua credulidade ameaçam deixar as suas lavouras, temendo que o animal mitológico possa levar suas crianças, como dizem as tradições folclóricas.

Para alguns, o aparecimento do monstro tem relação direta com a expulsão dos ciganos, que recentemente foram intimados a deixar a cidade, com seus cavalos e caminhões de barganha, pelo próprio delegado de Policia. O ex-prefeito, tenente Aidano Faria disse que não acreditam no sobrenatural, e uma caravana sairá da cidade dentro de mais algumas horas, rumo ao lugar em que foi anotada a presença da “Mula-Sem-Cabeça”.

O Interessante, segundo os depoimentos de lavradores da Vila dos Coroados é que a “mula-sem-cabeça” se apresenta em versão moderna, diferente das estórias tradicionais, porque exige de suas vítimas que abandonem suas propriedades, antes de soltá-las espavoridas.
Autoridades e o povo da cidade creem que o fenômeno não passa de um ardil empregado por certos grileiros, para tomar as terras férteis aos humildes camponeses do norte-fluminense, através de um disfarce, aproveitando-se da credulidade dos mesmos e das lendas que há séculos correm sobre o estranho aparecimento”.

Existem diferentes versões para a origem da mula sem cabeça. Uma delas conta que se a mulher dormisse com o namorado antes do casamento, ela poderia ser enfeitiçada e virar uma mula sem cabeça. Outra afirma que a mulher que mantivesse ligações amorosas com um padre, seria castigada e transformada em mula sem cabeça.

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