sexta-feira , 2 dezembro 2016
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História e Cultura apresenta: as lendas rurais de São Fidélis

Após contar as lendas urbanas que fazem parte da cultura de São Fidélis; hoje o nosso colunista Evando Freitas fala sobre as histórias que são contatas nas localidades rurais de nosso município.

RIO PARAIBA DO SUL FOTO VINNICIUS CREMONEZ 9
Fotos: SF Notícias

Lenda do Sapateiro
Ao chegarmos às terras fidelenses, vindo da cidade de Campos dos Goytacazes, podemos ver de perto uma das mais importantes serras da região, a Serra do Sapateiro. Ela recebeu esse nome por causa de um homem, de quem não se sabe o nome, e que lá viveu e possuía ofício de consertar sapatos.

O sapateiro viveu com sua família na serra, mesmo sendo ela rodeada por Índios Puris considerados perigosos, pois alguns historiadores afirmavam que eram canibais. Esses índios se apaixonaram pela filha do sapateiro, o que gerou fortes conflitos e levou ao surgimento de outra lenda, descrita a seguir.

Lenda da Bela Joana
A lenda da bela moça Joana é uma das mais antigas da cidade, e remonta aos tempos de colonização da área onde hoje é São Fidélis. A história narra que, no início, cinco grandes desbravadores subiram o Rio Paraíba do Sul para as nossas terras, com intenção depovoá-las e assim explorar todas riquezas que pudessem conseguir. Chegando às terras, encontraram duas tribos de índios, os Puris e os Coroados. Os primeiros, mais rebeldes, não queriam muito contato com o homem branco.

No entanto, os Índios Puris seguiram a missa, e viram dentre os desbravadores que um deles tinha o ofício de consertar sapatos, o Sapateiro. Logo os índios começaram a atacar os invasores de suas terras, mas não atacaram o sapateiro, que foi levado para o pé de uma serra, que hoje recebe seu nome.

Preso com sua família, o Sapateiro conviveu com os índios. Uma das filhas do sapateiro era muito bonita e chamava a atenção de todos, até que um dia o chefe puri se apaixonou por ela. Os irmãos da bela moça não gostaram da ideia e logo começaram a dar um jeito de afastá-lo, porém, não conseguiram. Outros índios vieram e atacaram a família matando quase todos, sendo que a bela Joana sobreviveu.

Joana viveu com os índios por um tempo, mas era infeliz.Numa oportunidade, a jovem fugiu para a vila de São Salvador, hoje Campos dos Goytacazes. Na vila, a bela jovem ficou desamparada, morando pelas ruas. Joana, no entanto, não ficou muito tempo pelas ruas; sua beleza logo chamou a atenção de um grande fazendeiro, que a levou para morar com ele.

Alguns dizem que a Joana teria ficado em uma casa de dança, onde encontrou o fazendeiro, as versões da história são diversas, e nem se sabe se a bela jovem um dia existiu, de fato.

parque estadual do desengano foto vinnicius cremonez 2A lenda do Itacolomy
Uma lenda pouco contada, e até mesmo esquecida em meio às outras, possui uma importância única: Itacolomy é uma das regiões que hoje compõem o município de São Fidélis, um das primeiras áreas a serem explorada.

É uma região inicialmente habitada pelas duas tribos de índios que viveram em São Fidélis, os Puris e Coroados, e uma área onde havia muitos riachos, bem como uma floresta densa. Portanto, o Itacolomy era muito lucrativo, o que logo atraiu o olhar dos desbravadores. Iniciada a exploração da área, os exploradores começaram a derrubar as árvores e a procurar ouro e outros minerais, até que um dia viram alguém na mata: era um menino que pedia a eles para não derrubarem as belezas que Deus havia feito. Sem saber o que era e de onde havia vindo, os colonizadores dispararam contra a criança, com armas de fogo, e o menino virou uma pedra. Por isso, a área ficou chamada de Serra do Itacolomy, que significa “Garoto de Pedra” ou “Menino de Pedra”.

SFn