quarta-feira , 26 fevereiro 2020

Menina que venceu a leucemia e inspirou criação de projeto solidário é exemplo de superação, em São Fidélis Através da esperança e força da menina, veio a inspiração para criação do projeto USE. Diagnosticada com apenas 4 anos, Sofia teve que deixar sua vida em Barro Branco e dar início a batalha, da qual saiu vitoriosa sem perder a alegria

Através da esperança e força da menina, veio a inspiração para criação do projeto USE. Diagnosticada com apenas 4 anos, Sofia teve que deixar sua vida em Barro Branco e dar início a batalha, da qual saiu vitoriosa sem perder a alegria

Fotos: arquivo pessoal

Em 2014, a vida de uma família moradora da localidade de Barro Branco, na zona rural de Pureza, 3º distrito de São Fidélis, Norte Fluminense, mudou completamente. O que começou com uma ‘simples’ dorzinha na perna, tomou proporções que os pais da pequena Sofia Rangel, com apenas 4 anos na época, nem imaginavam. A filha mais nova foi diagnosticada com leucemia. Hoje o SF Notícias conta a história dessa guerreira, que mesmo perdendo a força física, jamais deixou de sorrir. E essa alegria e vontade de viver, inspiraram a criação do projeto USE. Através da esperança da Sofia, os voluntários conquistaram não um, mais milhares de sorrisos. No último dia 28, a pequena completou 10 anos, com um grande motivo para comemorar: sua cura. (Continua após a publicidade)


“A Sofia sempre foi muito saudável, desde novinha. Brincava muito, sempre ativa. Ela começou a estudar em fevereiro de 2014. Eu levava ela e a irmã de 9 anos, porque a escola era pertinho de casa e elas voltavam sozinhas. Quando foi dia 11 de maio, a Samara chegou correndo, falando que a Sofia tinha ficado lá embaixo – pra chegar à casa tem uma subidinha -, que ela estava sentindo uma dorzinha na perna e não aguentou subir” – relembra a mãe de Sofia, Leca Rangel. Ela questionou se a filha tinha caído, se tinha se machucado, mas a menina negou, e a dor só foi aumentando. Sofia realizou alguns exames e consultas, que não apontavam nada de anormal. “Nunca passou pela nossa cabeça que fosse uma coisa assim. Levamos no médico em Campos, ele examinou, passou exame, raio-x, e não aparecia nada. Passou medicamentos e disse pra voltar pra revisão, mas a dor só ia aumentando. Na véspera da revisão, ela começou a ficar com manchas rochas. Levamos ela no hematologista, porque um exame tinha dado plaquetas baixas. O médico já estava desconfiado. Ela já estava sendo carregada no colo, quase sem andar” – relata a mãe.

Foi o profissional que deu a notícia que abalou a família. “Ele pediu um exame de sangue pra olhar na lâmina. Ele veio, chamou a gente, pediu pra não entrar no consultório com ela. E disse: ‘mãe, eu não posso nem te acalentar nesse momento porque nós não temos muito tempo, a Sofia está com leucemia e é grave. Você vai levar ela pro INCA’. Comecei a chorar e gritar no consultório. Aí começou a luta. Nem sei explicar como fiquei, pra mim o mundo desabou” – afirma Leca. Naquele dia, Sofia precisou fazer uma transfusão de plaquetas no Hospital Ferreira Machado, mas, segundo Leca, não fizeram o teste para saber se ela era alérgica. Ela começou a passar mal e desmaiou nos braços do pai. A pequena foi levada para uma sala reservada, onde foi reanimada, de acordo com a mãe. “Eu quase perdi minha filha ali. Ela é um milagre. Deus devolveu ela pra mim ali” – conta.

A luta da família foi grande após a transferência para o INCA. “Desde quando chegamos no INCA não voltamos mais pra casa. Só depois de um ano. Ela ficou internada por 126 dias. Uma tia me ofereceu uma casa em São Gonçalo, onde fiquei com meu marido. E minha outra filha ficou em Barro Branco. A Sofia foi passando pelos protocolos e a nossa vida parou. Foi um baque muito grande. Mas, fomos muito ajudados com as idas e vindas ao Inca. Vendemos o que podíamos na roça e compramos um terreno em Barra de São João. Quando viemos pra cá, ela ia de 15 em 15 dias. Cada ano muda. Nesse ano vou levar de 6 em 6 meses. Aqui fica mais perto. Agora, qualquer sintoma a gente leva direto pro INCA” – disse a mãe, que relembra com emoção toda a ajuda que recebeu. A quimioterapia teve sucesso e hoje a Sofia está bem, não toma nenhum medicamento, e faz apenas o acompanhamento no INCA.

Apesar de ser vaidosa, o que não mudou durante o tratamento, a pequena optou por não usar peruca. Mas, depois que os cabelos voltaram a crescer, quis ajudar outras pessoas e doou as madeixas. Ao SF Notícias ela disse que foi o apoio das pessoas que a ajudou a manter a força e esperança. “Eu recebi muita visita. Eu via muitas crianças e via que elas estavam felizes. Também queria deixar minha mãe e meu pai felizes. As pessoas lá são carinhosas e gentis. Acho que a força veio do apoio das pessoas” – disse. A menina que ama se maquiar e fazer as unhas, conta que decidiu doar o cabelo para ajudar. “Eu queria cortar e doar pra ajudar outras pessoas. Meu pai não queria, mas ficou feliz porque eu doei. Doar sangue também é importante porque você tem de sobra e outras pessoas tem de menos, então um pouquinho pra tirar seu, pode ser muito pra outra pessoa” – afirmou.

Sofia e Douglas, idealizador do USE

Em dezembro a Sofia conheceu o advogado Douglas Soares, idealizador do projeto USE. Ele acompanhou a história da menina, e criou o projeto inspirado na força dela durante o tratamento, mas eles ainda não se conheciam. “A minha mãe me explicou o que eles fazem, fiquei feliz em saber o que eles fazem. Eu acompanho no Instagram” – conta Sofia, que disse ainda que quer ser médica, para ajudar outras crianças, e que gostaria de ser voluntária. Já o Douglas relatou que começou a acompanhar a luta dela através das redes sociais, onde percebeu que apesar da dura batalha que ela enfrentava jamais perdia a essência do seu sorriso. “Isso de certa forma me comoveu e me inspirou. Foi onde juntamente com alguns amigos resolvemos levar esse sorriso para ajudar na autoestima dos enfermos do Armando Vidal e que acabou se espalhando para outras instituições como Lar dos Idosos, APAE, Pestalozzi e outros. E agora também já realizamos diversas ações e campanhas sociais que ajudam muitos que precisam” – afirmou.

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