quinta-feira , 14 dezembro 2017

Ministério Público abre inquérito após interação de criança com homem nu em exposição O MP acionou o Ministério da Justiça, o Museu e a Secretaria de Cultura de São Paulo

O MP acionou o Ministério da Justiça, o Museu e a Secretaria de Cultura de São Paulo

A participação de uma criança em uma performance protagonizada por um homem nu deu início uma nova polêmica no Brasil. A apresentação foi critica por muitos: “Isso é arte?“, disse um internauta. “Isso é pedofilia. Os envolvidos devem ser presos“, disse outro.

A performance “La Bête”, de Wagner Schwartz, foi realizada em sessão única na abertura da mostra 35º Panorama da Arte Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM).

Em um determinado momento da apresentação, uma menina, que aparenta ter em torno de cinco anos, os pés e a perna de um artista que estava nu e deitado sobre o chão. Um vídeo mostrando o exato momento em que a criança toca o homem se espalhou por grupos de whatsapp e outras redes sociais.

Imediatamente uma enxurrada de críticas foi direcionada a apresentação e ao museu. Muitas das críticas acusam o museu de “incentivo à pedofilia”. Até mesmo políticos do país gravaram vídeos criticando a apresentação, como Bolsonaro e João Dória. O prefeito de São Paulo disse que “tudo tem limite”.

Após a repercussão do vídeo, o promotor de Justiça Eduardo Dias instaurou inquérito civil para apurar denúncias relacionadas à mostra. O promotor de Justiça, que atua na Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude (Setor de Defesa dos Interesses Difusos e Coletivos), solicita que o Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação do Ministério da Justiça elabore parecer sobre a classificação indicativa. Ao MAM, solicita informações sobre a referida mostra e pede esclarecimentos sobre o critério de classificação etária.

Ferreira também oficiou à Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo para obter informação para o inquérito civil e cópia do contrato de gestão. Solicita, ainda, ao Youtube e Facebook que removam os conteúdos que veiculam imagens de crianças e adolescentes na mostra.

Em nota publicada em sua página no facebook, o MAM disse que “a criança que aparece no vídeo que circula nas redes sociais não integrava a performance e participou das interações sob supervisão de sua mãe, e que a apresentação não tem conteúdo erótico“. O museu disse ainda que “a sala estava devidamente sinalizada sobre o teor da apresentação, incluindo a nudez artística, seguindo o procedimento regularmente adotado pela instituição de informar os visitantes quanto a temas sensíveis“.

Veja a nota na íntegra:

“O Museu Arte de Moderna de São Paulo informa que a performance ‘La Bête’, que está sendo questionada em páginas no Facebook, foi realizada na abertura da Mostra Panorama da Arte Brasileira, em apresentação única.
A sala estava devidamente sinalizada sobre o teor da apresentação, incluindo a nudez artística, seguindo o procedimento regularmente adotado pela instituição de informar os visitantes quanto a temas sensíveis.
O trabalho apresentado na ocasião não tem conteúdo erótico e trata-se de uma leitura interpretativa da obra Bicho, de Lygia Clark, historicamente reconhecida pelas suas proposições artísticas interativas.
Importante ressaltar que o material apresentado nas plataformas digitais não apresenta este contexto e não informa que a criança que aparece no vídeo estava acompanhada e supervisionada por sua mãe. As referências à inadequação da situação são resultado de desinformação, deturpação do contexto e do significado da obra.

O MAM reafirma que dedica especial atenção à orientação do público quanto ao teor de suas iniciativas, apontando com clareza eventuais temas sensíveis em exposição. O Museu lamenta as interpretações açodadas e manifestações de ódio e de intimidação à liberdade de expressão que rapidamente se espalharam pelas redes sociais.

A instituição acredita no diálogo e no debate plural como modo de convivência no ambiente democrático, desde que pautados pela racionalidade e a correta compreensão dos fatos.”


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