quarta-feira , 15 agosto 2018

Movimento Educadores de Campos em Luta realiza assembleia geral e decide paralisação no dia 30/08.

O auditório da UFF em Campos dos Goytacazes ficou pequeno na noite de quinta-feira (15) quando cerca de 400 professores da rede municipal de Campos convocados pelo Movimento Educadores de Campos em Luta, compareceram na assembleia geral da categoria e na qual foram discutidas e aprovadas a pauta de reivindicações, bem como a decisão pela paralisação nacional no dia 30/08.

O movimento surge com força por conta da falta de uma representação ativa da diretoria do SEPE que há anos deixa a desejar e, com isso, os professores não se sentem mais representados por ele. Dessa forma, o Movimento Educadores de Campos em Luta está aberto, bem como tem recebido adesões e apoio de novos companheiros que, diariamente, são convidados para participarem de reuniões e debates sobre os problemas vivenciados pela classe no dia a dia.

Da pauta de reivindicações constam os seguintes itens:

1- Aumento do piso salarial que ano a ano vem se defasando;

2- Inclusão de 40% de regência sobre o salário base para todos os professores;

3- Revisão do plano de cargos e salários e de letras;

4- Incorporação ao piso salarial, da gratificação da graduação e da pós-graduação;

5- Retorno dos 3% a cada 40 horas de curso anual:

6- Cumprimento e implementação da lei federal 11.738/2008 (que estabelece que 1/3 da carga horária seja reservado para planejamento):

7- Aumento do vale alimentação para R$ 400,00;

8- Eleições para diretores de escolas, já;

9- Inclusão dos dependentes no plano de saúde;

10- Reabertura das escolas públicas no campo com professores concursados e transporte gratuito para alunos oferecidos pela prefeitura de Campos;

11- Convocação dos professores aprovados no último concurso.

Ainda, durante a assembleia vários professores tiveram a oportunidade de expor demais propostas, da mesma forma que muitos desabafaram sobre diversas situações enfrentadas e degradantes, entre elas, a  falta de respeito que vêm sofrendo por parte da administração municipal que nega direitos do servidores como a não liberação de licença especial, além da falta de infraestrutura nas escolas, o que impede o exercício profissional de qualidade por parte da maioria dos professores, salas superlotadas e multisseriadas e alunos com diversos problemas.

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O movimento reconhece que por muito tempo, os professores municipais  de Campos ficaram adormecidos, mas, com o efeito das grandes manifestações que têm ocorrido pelo país, bem como o exemplo do Movimento Educadores da cidade de Macaé que tem sido destaque pela luta substancial que fez com que os professores conquistassem vitórias ao se mobilizarem e indo para as ruas com cartazes e unidos pelo mesmo ideal e cuja categoria é considerado uma das que tem o maior piso salarial (2.179,99) do Norte Fluminense. E, assim sendo, acabou por contagiar o movimento em Campos para acordar e partir para a luta também.

O professor de História, Luiz Miguel de Assis Ferreira disse que mesmo cansado por um dia de trabalho, não deixou de ir à assembleia, bem como irá acatar o que for de consenso e aprovado pelo movimento.

“Essa luta de classe, historicamente, é fruto da revolta e indignação contra o populismo exacerbado vivido por um povo não somente em Campos, mas em boa parte do país. O populismo não aceita que a educação seja libertadora, bem como oprime a quem o enfrenta. Mas o povo já começou acordar e como disse o saudoso Ulysses Guimarães que a única coisa que mete medo em político é povo na rua. A falta de valorização do profissional da área de educação contribui para o aniquilamento do desenvolvimento do país como todo. O descaso com a Educação é tão grande quanto a insatisfação e a desmotivação por parte de grandes profissionais da área que têm migrado para outras carreiras, não somente por uma questão de melhorias salariais, mas, sobretudo por outras carreiras não serem tão desgastante quanto é ser professor em um país cujo sistema não permite que a massa seja, de fato, educada para transformar, mas sim viver sob a alienação e a recepção de migalhas bancadas por políticas assistencialistas por famigerados políticos que corrompem e promovem nas comunidades os verdadeiros currais eleitorais em detrimento de uma educação de qualidade. E aí vou me valer do seguinte dizer de Paulo Freire: ” Se a educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda”, afirmou.

Além da presença dos professores, quatro representantes do movimento campista “Cabruncos Livres” e a representante da Unidade Classista – Graciete Santana, compareceram à reunião em apoio aos professores.

Reportagem e Fotos/ Neuzimar Lacerda


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