quarta-feira , 12 dezembro 2018

Museu Nacional: 200 anos de história destruídos pelas chamas e pelo abandono do governo Para tentar recuperar o que foi consumido pelas chamas, pesquisadores e funcionários pedem para aqueles que tiverem imagens, sejam fotografias, vídeos e selfies, dos espaços e acervo atingidos pelas chamas, enviem para o e-mail: thg.museu@gmail.com

Para tentar recuperar o que foi consumido pelas chamas, pesquisadores e funcionários pedem para aqueles que tiverem imagens, sejam fotografias, vídeos e selfies, dos espaços e acervo atingidos pelas chamas, enviem para o e-mail: thg.museu@gmail.com

Fotos: Uanderson Fernandes/ Agência O Globo

Em poucas horas, o Brasil acompanhou a destruição de mais de 200 anos de história. Um dano irreparável ao acervo e às pesquisa nacionais. O Museu Nacional é a instituição científica mais antiga do Brasil, um dos museus de ciência de referência no mundo, que foi consumido pelas chamas. Segundo o Corpo de Bombeiros, a maior parte da estrutura do prédio era de madeira, e o local tinha material inflamável. Assim, o fogo se espalhou rapidamente.

Os bombeiros tiveram dificuldade de combater as chamas. Faltou água! Dois hidrantes próximos ao Museu Nacional apresentaram problemas e a CEDAE não conseguiu resolver. A solução foi mandar caminhões-pipa. Depois de quase duas horas os bombeiros começaram a retirar água de um lago que fica ao lado do museu. O incêndio teve início por volta das 19h30, e só foi controlado por volta das 3h da madrugada desta segunda-feira (03/09). Segundo a nota divulgada na página do museu, as chamas destruíram “um acervo inestimável para a ciência e cultura brasileiras”.

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O prédio, que completa 200 anos esse ano, guardava 20 milhões de itens históricos e científicos, divididos em coleções de paleontologia, zoologia, botânica, antropologia e arqueologia. Entre os itens que estavam no museu está o fóssil humano batizado de Luzia, que seria a habitante mais atinga das Américas. Também estavam lá o maior meteorito já encontrado no Brasil e a maior coleção de múmias egípcias da América Latina, arrematada em 1826 por Dom Pedro.

Dom João VI inaugurou em 1818 o museu com o nome de Museu Real, que funcionou primeiramente no Campo de Santana, sendo transferido para o Palácio de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, local destruído pelo incêndio. Antes de abrigar o museu, o Palácio foi residência das famílias real portuguesa e imperial brasileira.

Ainda não se sabe o que teria provocado o incêndio. Apenas quatro vigilantes estavam no museu no momento em que as chamas começaram. Eles conseguiram sair a tempo. Em nota, a Polícia Civil informou que abriu um inquérito para investigar as causas, mas que repassará o caso para a Delegacia de Repressão a Crimes de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico, da Polícia Federal.

Para tentar recuperar o que foi perdido, pesquisadores, funcionários e colaboradores da área de museologia estão pedindo para aqueles que tiverem imagens, sejam fotografias, vídeos e selfies, dos espaços e acervo atingidos pelas chamas, enviem para o e-mail: thg.museu@gmail.com.

O museu sofria com o abandono do Governo Federal. Parte do prédio estava fechado há 20 anos para visitação devido as condições das instalações. Em alguns pontos, havia risco de desabamento. O prédio não tinha sistema de prevenção de incêndios, o que contribuiu para a destruição.

Em sua página no Facebook, o presidente Michel Temer disse que é “Incalculável para o Brasil a perda do acervo do Museu Nacional”. Segundo ele, foi um dia “trágico para a museologia de nosso país. Foram perdidos duzentos anos de trabalho, pesquisa e conhecimento. O valor para nossa história não se pode mensurar, pelos danos ao prédio que abrigou a família real durante o Império. É um dia triste para todos brasileiros”.


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