sexta-feira , 2 dezembro 2016
Foto: Arquivo
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Petrobras hibernará plataformas gerando demissões na Bacia de Campos

Fotos: Arquivo
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A paralisação das atividades de seis plataformas da Petrobras seguida de seu envio para estaleiros no Rio de Janeiro pode resultar na demissão de centenas de profissionais terceirizados e na realocação dos petroleiros, causando séria crise econômica na Bacia de Campos. Essa é a previsão que a direção executiva do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense faz após ouvir o anúncio da Petrobras sobre o programa de hibernação de suas unidades em funcionamento na região. A entidade está lutando para a manutenção dos empregos dos terceirizados, bem como da manutenção dos efetivos nas unidades. As demissões estão praticamente confirmadas já que a Perbras – empresa fornecedora da mão de obra terceirizada – tem seu contrato encerrado durante o mês de setembro.

Hibernação de uma plataforma é o processo de desativação das atividades produtivas e colocação da unidade em estaleiro, para evitar seu desgaste estrutural, fazendo apenas a manutenção básica. A Petrobras, em resposta à redação, explica que “a hibernação de plataformas (sondas) de perfuração, que resulta em custos menores com essas unidades, é consequência da diminuição da demanda por esse tipo de equipamento, em função da redução do nível de atividades”.

Em nota, a estatal informa que “das quatro sondas flutuantes próprias da Petrobras que operam na área, por enquanto está definida a parada imediata (hibernação) de apenas uma. As demais unidades ainda dependem de análise mais específica da demanda. Caso outras venham a ser postas em hibernação, os profissionais próprios e terceirizados que atuam nessas plataformas serão realocados conforme a demanda, respeitados os contratos vigentes”.

Segundo o presidente do Sindipetro-NF, Marcos Breda, cada plataforma tem de 80 a 100 profissionais trabalhando. Desse total 70% a 80% são terceirizados. A plataforma, apesar de não produzir, é utilizada na perfuração de poços. Duas delas, a P-59 e a P-60, estão sendo utilizadas como flotel. Todas irão para estaleiro. Ambas são utilizadas como dormitório e ponto de descanso para os trabalhadores que prestam serviço em outras unidades às quais as plataformas estão atracadas.

Marcos Breda considera um erro essa atitude porque a empresa irá desmontar as equipes e transferir pessoal para outras unidades. “Esse é um passo difícil de ser revertido. Caso queira voltar a ter plataformas próprias de perfuração, terá que convocar novamente esse pessoal que estará espalhado. O Sindipetro-NF considera a perfuração um serviço estratégico para qualquer empresa de petróleo, principalmente em um momento de crise, com preço alto do barril”.

Em julho, a entidade recebeu a informação que a Petrobras pretendia parar as sondas próprias de perfuração de poços. A primeira delas foi a P-23, única que possui um sistema de posicionamento dinâmico e que já está na costa da Bacia de Campos, aguardando destino para o estaleiro. Breda lembra que a Petrobras em recente reunião com representantes da categoria informou que iria parar uma unidade a cada seis meses, mas “diante da antecipação da P-10, o sindicato não pode afirmar o prazo que essas unidades vão parar”.

Além da questão da desativação dos serviços, o sindicalista lembra que a Petrobras pretende formalizar um novo contrato, com valor menor de serviço, e disponibilizará para várias empresas e não apenas a uma, como é o caso do contrato com a Perbras realizado em 2013 e encerramento para setembro deste ano. “A Petrobras alegou para o sindicato que parar as sondas contratadas sai muito mais caro diante do pagamento de multas. Por isso, a decisão de mandar para o estaleiro onde é feita apenas sua manutenção”, lembra Breda, assim como o plano de negócios da empresa está focado no pré-sal e em produção de petróleo e gás. “Por isso que a carteira de atividades está sendo reduzida”. Os petroleiros concursados da empresa serão mantidos na Unidade de Operação da Bacia de Campos (UO-BC), na Unidade de Operação Rio (UO-Rio) e no sistema de Construção de Poços Marítimos (CPM).

Tânia Garabini / Terceira Via

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