segunda-feira , 5 dezembro 2016
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Recordar é viver: Waldir Vieira, o radialista fidelense que conquistou o país

Foto: Reprodução.

Pouca gente sabe, mas saiu de São Fidélis um dos melhores radiaistas que o país já teve. “Waldir Vieira é um cara tão legal! Na Rádio Globo ele é sensacional!” Era esse o principal slogan do Programa Waldir Vieira, o mais ouvido das rádios cariocas entre as décadas de 1970 e 1980, com liderança absoluta de audiência, tendo o dobro de ibope do segundo colocado no mesmo horário.

O fidelense Waldir Vieira nasceu no dia 31 de maio de 1944. Começou a trabalhar cedo, como varredor, na Rádio Difusora Coroados, em São Fidélis, onde logo fez valer seu talento e virou locutor. Aos 24 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, passando por várias emissoras antes de chegar à Rádio Globo, onde foi assistente de Haroldo de Andrade até conseguir um horário para seu programa, que apresentou até 13 de novembro de 1985, dia em que morreu, no auge da carreira, em um motel na Zona Sul do Rio. A causa da morte foi um escapamento de gás, que também vitimou Sueli Costa Pessanha, prima de Waldir, que estava com o radialista na ocasião. O radialista deixou esposa, Maria Ângela, e dois filhos, Ângelo Luciano e Lina Maria.

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O “Programa Waldir Vieira” era exibido durante a semana, das 13h às 17h, e também aos domingos pela manhã, sempre ao vivo. Os principais quadros eram a “Carta da vovó”, o “Recado do Valdir Vieira” e “As canções do Rei Roberto Carlos”. O sucesso do programa se devia à espontaneidade de Waldir, que contava com grande participação do público, principalmente das donas de casa, que enviavam milhares de cartas – cerca de 1.500 por dia, segundo dados da época – e também participavam ao vivo.

A morte do radialista ganhou uma página inteira do Jornal no Brasil do dia seguinte, destacando a comoção dos ouvintes, a grande maioria de mulheres, que declaravam amor ao radialista. O sepultamento de Waldir Vieira aconteceu no Cemitério São João Batista, em Botafogo, com a presença de uma multidão de fãs, que cantaram em coro a música que abria o Programa Waldir Vieira. Entre as quase 50 coroas de flores, destacavam-se as de todas as gravadoras de discos, da diretoria do Flamengo, de Escolas de Samba, muitas empresas que anunciavam no Programa Waldir Vieira e cantores como Agnaldo Thimóteo, Wano, Michael Sulivan e The Fevers, além dos sindicatos dos radialistas e dos escritores.

Várias figuras conhecidas foram se despedir pessoalmente de Waldir Vieira, como Jerry Adriani, Rosemary, Bebeto, Chacrinha, Adriana, Alberto Brizola, Carlos Renato, Carlos Henrique (das Casas Sendas), Monsier, Nélson Carneiro, Armando da Fonscea, Castor de Andrade, Eduardo Mascarenhas e Clóvis Barcelar, além de funcionários da Rádio Globo e do superintendente da emissora, Paulo César Ferreira. Em São Fidélis, uma creche municipal localizada no bairro Vila dos Coroados ganhou o nome do grande jornalista, uma homenagem mais que juste.

SFn

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