quarta-feira , 26 julho 2017

Rios da região podem ser atingidos por barragens mineiras

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Fotos: Vinnicius Cremonez / reprodução

O estado de Minas Gerais possui mais de 700 barragens de diferentes tipos de produtos. 450 delas, são de rejeitos de mineração. Os dados são da Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas (Feam), e está disponível no site da própria fundação. De acordo com inventário da Feam, o número de barragens cresceu 20% de 2008 a 2024.

rio paraíba do sul rtAlgumas dessas barragens estão em municípios da bacia hidrográfica do Rio Paraíba do Sul. São municípios que são banhados por afluentes do Paraíba, como o Rio Paraibuna, Rio Pomba e o Rio Muriaé, que os principais afluentes do nosso Paraíba do Sul.

Em entrevista ao SFnotícias, o ambientalista Aristides Soffiati – idealizador de diversas pesquisas voltadas para o Paraíba do Sul – disse que o Paraíba não está livre de ser atingido por um acidente como o que destruiu comunidades, os ambientes do Rio Doce e obrigou a suspender a captação.

“Minas Gerais faz jus ao nome: tem mineração em todo o território estadual e também um território todo minado por bombas que podem detonar a qualquer momento. Minas Gerais é também o estado em que nascem grandes rios, como o São Francisco e o Doce. Os maiores afluentes do Paraíba do Sul vêm de Minas Gerais: o Paraibuna, o Pomba e o Muriaé. Hoje, a maior parte do Paraíba do Sul, a partir de Três Rios, depende de Minas. De lá, vem água quando chove. De lá também podem vir rejeitos indesejados de Mineração. Pelo Paraibuna, vieram cádmio, zinco e chumbo em 1982, obrigando a interrupção na captação de água aba ixo de Três Rios por uma semana. Pelo Pomba, veio a lixívia negra da Cataguazes de Papel que escureceu as águas do Paraíba do Sul. Pelo Muriaé, vieram rejeitos de Miraí”, disse o ambientalista.

paraibunaO município de Descoberto por exemplo, banhado pelo Rio Pomba, possui uma barragem de mineração. Já a cidade de Juiz de Fora (foto), banhada pelo Rio Paraibuna, possui três barragens que pertencem as indústrias de cimento. Vale lembrar que o Rio Paraibuna deságua no Paraíba no município de Três Rios, afetando outras regiões do cardosestado. Também existem barragens em Miraí, município que é banhado pelo Rio Muriaé. Lá, são duas barragens de mineração. Em nosso estado, o Rio Muriaé corta os municípios de Itaperuna, Laje do Muriaé, São José de Ubá, Italva e Cardoso Moreira, antes de desaguar no Paraíba.

Banhado pelo Rio Novo, um dos afluentes do Rio Pomba, o pequeno município de Itamarati de Minas, possui seis mil habitantes e duas barragens de mineração, sendo uma de rejeitos, igual a de Mariana. O município também é banhado pelo Rio Ribeiro dos Pires, que é afluente do Rio Novo. No estado do Rio, o Rio Pomba corta os municípios de Pádua e Aperibé.

De acordo com Aristides, se caso aconteça algo parecido com o que ocorreu e Mariana na bacia do Paraíba, provocaria a eliminação do manguezal da foz e seus habitantes, além de entrar no mar e causar enorme estrago.

“Embora o Paraíba do Sul seja mais longo que o Doce, ele não tem a mesma vazão, ou seja, o mesmo volume de água. O Rio Doce é o maior rio entre o da Prata e o São Francisco. A quantidade de lama que vazou para ele engessaria o afluente por onde a lama vazou até chegar ao Paraíba do Sul. Com a seca que sofrem os rios da região Sudeste, a lama exterminaria vegetais e animais aquáticos e terrestres, obrigaria a suspensão da captação de água, arrasaria a pesca, a agricultura e a pecuária. Isso tudo, se fosse o mesmo material que vazou pelo Doce, na mesma quantidade”, concluiu Aristides Soffiati.

pombaNa semana passada, o Jornal O Dia publicou uma matéria falando sobre os riscos que nosso estado corre. Segundo a matéria, ecologistas e especialistas em meio ambiente do Rio de Janeiro, estão cobrando a realização de uma operação pente fino imediatamente para saber a real situação de segurança de 317 barragens que podem atingir RIO PARAÍBA ITAOCARA 3mananciais fluminenses, caso ocorram novos acidentes. Segundo o engenheiro Adacto Otoni, coordenador do curso de especialização em engenharia sanitária e ambiental da Uerj, o sistema hidrográfico fluminense está sob ameaça.

Acidentes com barragens mineiras que atingiram o estado do Rio:

Pra quem não se lembra, no ano de 2003 o Rio Paraíba do Sul foi afetado por 30 milhões de litros cúbicos de rejeitos químicos que vazaram de uma barragem da Indústria de Papel e Celulose de Cataguases. A captação de água nos Rios Pomba e Paraíba tiveram que ser suspensa, deixando 78 mil moradores de quatro cidades e um distrito do Noroeste Fluminense e outras três da Região Norte, sem água por quase um mês.

O “acidente” deixou a água com coloração negra e com muita espuma, os produtos mataram cardumes de bagre, piau, lambari, carpas e cascudo. Moradores contaram ter visto cavalos e bois mortos no rio, depois de beberem a água do rio. Populações das cidades atingidas não podem usar a água para nada. Pescadores da região vivem até hoje os impactos causados pelo vazamento (vamos falar disso na próxima matéria).

Já em 2007, um novo vazamento de produtos químicos. Dessa vez foi Mineradora Rio Pomba Cataguases, localizada em Miraí. O rompimento aconteceu no dia dez de janeiro, onde 2 bilhões de litros de lama -resultado da lavagem de bauxita- desceram pelo Rio Fubá, afluente do rio Muriaé, que transbordou e inundou a cidade de Miraí. A lama seguiu pelo Muriaé e atingiu mais duas cidades em Minas e quatro no Rio. A captação de água chegou a ser interrompida em alguns locais.

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