São Fidélis pode decretar situação de emergência por causa da seca

RIO PARAIBA SECA
Fotos: Vinnicius Cremonez / Ascom

A seca que atinge as regiões Norte e Noroeste já causa prejuízos em várias cidades. O acordo celebrado entre a União e os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, que resultou na diminuição do volume de água que chega ao Rio de Janeiro, está prejudicando agricultores, produtores e moradores das cidades de nossa região.

Em algumas delas, como o caso de São João da Barra que foi a primeira a sentir os resultados desse acordo, já falta água nas casas da população.

Para o Comitê Baixo Paraíba, os impactos da redução das águas causada por várias ações antrópicas, tem causado o assoreamento do leito do rio, o que já vem sendo apontado em diversos fóruns.

RIO PARAIBA SECA 2 Outro importante impacto é o avanço da cunha salina no encontro do rio com o mar em Atafona, São João da Barra. Tudo isso tem sido percebido como sinais de alerta pelo Comitê de Bacia.

Ainda de acordo com o Comitê, o Paraíba está no nível mais baixo de sua história, onde boa parte do seu leito secou.

Diante da situação de calamidade, o Ministério Público Federal (MPF) em Campos dos Goytacazes (RJ) move nova ação civil pública contra a Resolução n° 1309/14 da Agência Nacional de Águas (ANA) que autorizou essa redução de vazão (volume) e pede a decretação de estado de calamidade pública na região banhada pelo rio Paraíba do Sul pelos próximos dois anos.

seca-sao-fidelis-ASCOM-8Em São Fidélis a situação não é diferente, onde os agricultores e produtores da zona rural do município, estão sendo castigados pela falta de água. Animais morrendo sem ter o que comer e o que beber, açudes secando, lavouras sendo perdidas, pastos secando e fogo consumindo o pouco que resta da vegetação.

Há pedido do Prefeito a Secretaria de Agricultura e Pesca, Secretaria do Meio Ambiente e Superintendência da Defesa Civil, estão fazendo levantamento nas propriedades rurais em todo município colendo materiais em razão da estiagem. O levantamento vai apontar quais são os pontos críticos do município, que pode decretar situação de emergência.

Defesa Civil de São Fidélis Foto Vinnicius Cremonez 2Segundo Superintendente de Defesa Civil de São Fidélis Claudio Luiz, o nível do Rio Paraíba está abaixo da régua de medição, tornando difícil de acompanhar o seu nível que abaixa a cada dia.

Ainda de acordo com o superintendente, o levantamento esta sendo feito para avaliar a situação de cada área atingida pela seca em nosso município. Após concluído o levantamento será encaminhado para a prefeitura, e sendo decretado situação de emergência, esse documento e encaminhado para a União.

“Estamos fazendo vistorias em locais onde o rio secou, onde o gado está morrendo, pastos secando, tudo para anexar ao processo que vai apontar a situação crítica do nosso município”, concluiu Cláudio.

rio seca 3A concessionária responsável pelo abastecimento de água em São Fidélis, a CEDAE, desceu a válvula de capitação em 5cm para não prejudicar o abastecimento. Ainda de acordo com a CEDAE, com a redução da altura da válvula, o nível do rio pode abaixar por mais 10cm que não irá prejudicar o abastecimento nas casas.

Na localidade de Angelim a prefeitura teve que fazer intervenções, onde usou uma retroescavadeira para retirar terra e aprofundar a área de capitação da água que abastece aquela comunidade.

rio seca 2Em alguns pontos de São Fidélis, o nível está tão baixo que é possível atravessar o Paraíba com água na canela, e em outros pontos, ele está na marca dos 40cm, o que preocupa a população fidelense, principalmente quem mora nas partes altas do município. Ainda segundo a CEDAE, a situação na cidade ainda está tranquila.

Com o anúncio do governo de São Paulo da transposição das águas de um afluente paulista do rio Paraíba do Sul para o sistema Cantareira, uma nova redução de vazão do rio Paraíba do Sul viria a se confirmar. A atual transposição em Santa Cecília, ponto de transferência de 2/3 das águas do rio Paraíba do Sul para o rio Guandu, destina apenas 71 m³/s para o todo o interior do estado, conforme resolução da ANA de 2003.

Uma nova transposição agravaria ainda mais o quadro delicado da qualidade da água observada a jusante da transposição para o Rio de Janeiro.

A situação pode se agravar ainda mais com a construção de uma usina hidrelétrica em Itaocara, cuja a licitação acontece em novembro deste ano. A usina vai desviar água do Paraíba para Minas Gerais, e voltar em outro ponto com menos vazão.

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