quarta-feira , 7 dezembro 2016
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Seca no Rio Paraíba prejudica pescadores de São Fidélis

NIVEL DO PARAÍBA DO SUL 4
Fotos: Vinnicius Cremonez / Arquivo pessoal

A forte estiagem que atinge a região sudeste do Brasil desde junho do ano passado, vai permanecer por um tempo, até que todo o ecossistema esteja totalmente recuperado. O nosso Rio Paraíba do sul por exemplo, vai precisar de mais alguns anos para se recuperar, e essa demora, está trazendo seca paraíba 4prejuízos para agricultores e pescadores. Com três metros abaixo do nível normal para essa época, segundo o secretário de agricultura, Gilberto Hentzy, ele dificulta a pesca e a desova dos peixes, a chamada “Piracema”.

Nossa equipe de reportagem percorreu alguns dos portos do seca paraíba 3município na tarde desta sexta-feira, e conversou com os pescadores. Tímidos, eles preferiram não se identificar, mas confessaram, que estão passando por dificuldades devido a seca.

“Você sai aqui do porto de manhã, joga a rede, mas quando você puxa ela novamente, vem cheia de peixe em desova. Eles não estão conseguindo desovar, devido a seca. Se no final desse ano, ou no início do próximo ano, não tiver uma cheia como as que estamos acostumados a enfrentar, a situação vai ficar crítica”, disseram os pescadores.

A tão famosa “Piracema”, é o período de desova dos peixes que ocorre entre os meses de outubro a março, ou seja, justamente quando estávamos passando pelo “pico” da estiagem, e segundo os pescadores, muitos peixes não tiveram tempo para desovar.

Em entrevista ao SF Notícias, o ambientalista Aristides Arthur Soffiati, disse que a longa estiagem que a Bacia do Paraíba do Sul vive, a maior que conhecemos em tempos históricos, não é de origem natural. Segundo ele, ela foi causada pelo mau uso da bacia ao longo do tempo. “O desmatamento passou do limite de 80%, gerando erosão, turbidez e assoreamento. A vazão foi reduzida. A agropecuária, a indústria e as cidades consomem mais água que a capacidade da bacia, além de poluí-la. Ainda há a redução de vazão pela transposição de 2/3 para o Rio Guando para abastecer a cidade do Rio de Janeiro. sdfghm,Além do mais, o regime de chuvas está mudando desde 1976. Estamos passado de um período de chuvas e estiagens regulares para um período de estiagens cada vez mais longas. Estamos com secas que nos enquadrariam na situação do Nordeste do Brasil”, disse o ambientalista, que aponta esses fatores, como explicação na demora seca paraíba 6da recuperação da situação vivida no passado, e para ele, essa demora pode se tornar uma tendência de longa duração.

“É difícil até para os cientistas que se dedicam ao tema fazer previsões. Parece que tivemos mais chuvas no outono que no verão, configurando duas situações atípicas: verão com menos chuva que o outono. Porém, as chuvas de outono se mostraram insuficientes para debelar a estiagem. Alguma chuva imprevisível pode ocorrer até o fim deste ano, mas a tendência é a estiagem se aprofunda mais ainda”, disse Soffiati

Para o ambientalista, assim como a longa e profunda estiagem de 2014/2015 é resultado de ações humanas coletivas, o restabelecimento de uma mínima normalidade depende também de ações humanas coletivas. As principais são: poupança de água; tratamento da poluição para uma oferta maior de água limpa; reflorestamento da bacia, começando pelas nascentes e pelas margens dos rios; proteção da Amazônia, pois de lá provêm grande quantidade de água em forma de nuvem. São os chamados rios voadores. E atitudes mais claras do governo federal quanto à emissão de gases do aquecimento global nas conferências mundiais.

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SFn