terça-feira , 21 novembro 2017

Seis anos após tragédia na Região Serrana, moradores relembram momentos de terror vividos 67.288 pessoas ainda moram em áreas de risco nesses três municípios.

67.288 pessoas ainda moram em áreas de risco nesses três municípios.

Fotos: Reprodução

A natureza é imprevisível. O dia que amanhece ensolarado pode terminar com uma forte tempestade. Nos dias 11 e 12 de janeiro de 2011, a natureza causou estragos na Região Serrana e mesmo após seis anos, as marcas da tragédia ainda permanecem naqueles que a viveram.

A enfermeira Celma Maria Soares, com 33 anos na época, viu de perto os acontecimentos que hoje marcam a memória de todo o país. Ela relembra os momentos de pavor vividos enquanto trabalha como voluntária em um abrigo de Nova Friburgo.

Segundo ela, o primeiro ponto da tragédia aconteceu na noite do dia 11, quando um prédio caiu no bairro Olaria. “Eu estava trabalhando no momento e acompanhamos pela TV. No fim do expediente, minha chefe me levou até a casa de uma amiga, era umas 20h e chovia muito forte” – relembra.

Ao amanhecer, Celma se aprontou e saiu para trabalhar, entretanto como estava em um bairro que foi pouco atingido, ela não fazia ideia do que havia acontecido em outros pontos da cidade: “No amanhecer acordamos para trabalhar e meu amigo disse: “Vai pra onde? O mundo acabou ai pra baixo” – lembra. Ela conta que a rua era um rio negro, criado pela água da chuva e destroços.

Foto: José Patrício

O desastre aconteceu em um terça-feira e somente no sábado a enfermeira conseguiu ir para casa. “Quando consegui ligar pra casa, meu marido disse que só tinha bolinho de trigo com água e sal para comer. Consegui ir até lá só no sábado levar alimentos. Abençoe meus filhos e voltei para ajudar os desabrigados”.

No abrigo, Celma acompanhou histórias de pessoas que perderam a família e tudo que tinham. “Lembro de tudo. De mães chorando pelos filhos que perderam, de pessoas vagando em meio a lama sem destino, dos preços altos dos alimentos. A história q mais me comoveu foi de um menina do interior, um lugarejo chamado Pilões. O pai dizia que o sonho da família era andar de de avião ou helicóptero, no dia da tragédia eles foram tirados por uma rede presa a um helicóptero” – conta.

As perdas familiares e entre amigos também marcaram a vida da enfermeira, que tem família em São Fidélis. “Perdi um tio, com filho e esposa. Um casal de amigos tinha duas filhas gêmeas. Na noite do dia 11 elas resolveram ver filme até tarde e dormiram na sala. Quando o dia clareou, não havia mais sala, nem as meninas”.

Até hoje a chuva causa medo e preocupa “Ontem deu um temporal forte aqui, até hoje nada foi feito. Qualquer chuva alaga tudo e quando chove não dormimos”. Um balanço de vítimas publicado em março de 2011, registrou 918 mortos, 100 desaparecidos e 34.600 pessoas desabrigadas. Os municípios de Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis registraram o maior número de mortos. 67.288 pessoas ainda moram em áreas de risco nesses três municípios.


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