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Sem medo de ousar: Entrevista com Marcos Matarazzo, o fidelense aprovado no The Voice Brasil

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Fotos e entrevista: Vinnicius Cremonez e Matheus Berriel.

As coisas estão acontecendo muito rápido na vida de Marcos Matarazzo, de 27 anos, que é nascido em São Fidélis e que há 11 anos está morando em Rio das Ostras, onde é o vocalista da banda Smooth. Desde que apareceu no The Voice Brasil e foi aprovado por três dos jurados, escolhendo fazer parte do time de Lulu Santos para as batalhas, que começam já na próxima semana, o fidelense teve um “boom” na sua vida.

Nesta terça-feira (27.10), Marcos passou rapidamente por São Fidélis para rever alguns amigos e recordar de locais por onde viveu suaa infância. Na oportunidade, o cantor deu uma entrevista para o SF Notícias, falando sobre vários assuntos pessoais e outros relacionados ao programa, como o começo na música, a escolha de “Believe” da Cher para a primeira apresentação no The Voice, o assédio após aparecer em rede nacional, sua relação com São Fidélis, entre outros. Confira:

Começo na música:

– Eu não decidi cantar. Eu acho que já nasci com isso. Não me lembro de não cantar. Até pelo que minha mãe conta, desde pequeno eu ficava em pé no banco da Primeira Igreja, querendo cantar. Com uns seis anos de idade, eu pedi pra ir lá na frente cantar. Não me lembro porquê, mas fui.

Estilos preferidos:

– É uma pergunta que muita gente me faz. O jazz e o blues me influenciaram bastante, é muito bom gostar disso por lá. É uma pena que Rio das Ostras seja cidade de jazz e blues só uma vez no ano. Durante o ano a coisa não é bem assim. Eu estou numa banda de jazz e blues, tenho essa influência, mas também tenho um projeto de música eletrônica, pós punk, bem anos 80. É diferente, eu só não gosto de mesmice. Musicalmente eu só não sou a favor do óbvio.

Bandas:

– Essa banda minha é mais recente, estou há mais um menos um ano e meio. Antes eu já participei de outras, tenho até um álbum gravado com a Indic Blue, tem até umas músicas na internet. É um álbum muito bom, mas os membros moravam cada um em uma cidade, tomamos nossos rumos, e foi difícil manter. Essa que eu estou agora é todo mundo de lá (Rio das Ostras), e na questão de rotina de ensaios fica mais fácil.

entrevista marcos 1Reação ao entrar no The Voice Brasil:

– Eu nunca esperei chegar ao The Voice, porque eu nunca me inscrevi. Eu achava que eu não fazia o estilo do programa, então nunca pensei em me inscrever. Mas uma amiga participou, quando abriram as inscrições, ela sabia que eu não ia me inscrever, e fez minha inscrição. Eu só descobri quando a produção do programa me ligou. Eu achei que era trote (risos), depois eu vi que não era mesmo. Entrei em contato com ela e vi que foi ela que tinha me inscrito e dado o meu telefone.

Escolha de “Believe”, da Cher:

– A questão de agradar os jurados é muito subjetiva. Mais do que agradar, você tem que surpreender os jurados. O grande “x” da questão, pelo menos pra mim, é não fazer algo que as pessoas já estivessem esperando que eu fizesse. A minha estratégia, desde o início, é fazer alguma coisa que ninguém esteja esperando. Como eu tenho uma banda de jazz e blues, e por gostar muito de rock, ouço muito Led Zepellin, Metállica, Iron Maider, ninguém esperava que eu cantaria Cher.

Não sei se as pessoas repararam, porque todo mundo teve o baque inicial da música, mas eu pedi para o produtor musical substituir todos os sintetizadores por guitarras. Se você pegar a base pra escutar, você vai ver que não tem sintetizador, só guitarra. E ficou muito legal, acho que foi por isso que as pessoas ficaram em choque. Justamente porque eu não me prendi em uma questão de estilo. Independente de qual música eu vá tocar, eu vou dar o meu ponto de vista sobre aquela música, o que eu sinto sobre ela. É como se fosse a música com outra roupa. (risos).

Escolha por Lulu Santos:

– Foi difícil, porque o Brown tinha uns argumentos muito bons, ele fala muito bem. Ele falou várias coisas que me interessaram para tê-lo como técnico. Ele perguntou se eu canto em francês, e eu canto, como também em espanhol. Foi interessante para mim. É algo incomum, eu gosto. Mas, por afinidade de estilo musical, eu escolhi o Lulu Santos.

Próximas etapas:

– No The Voice eu vou manter a mesma linha que eu tive para me colocar dentro do programa. Vou continuar deixando todo mundo nunca saber o que eu vou fazer depois.

Virar meme na internet:

– Eu ri demais. Eu via cada um tão engraçado, que não esperava. Eu imaginava que teria um repercussão, porque a globo é a grande vitrine do país. Mas não esperava ter essa grande aceitação. É muito engraçado. Em um dia você tem 500 amigos no facebook. No outro dia já são 5 mil, e sua cara está virando meme no twitter (risos). Me enviaram o meme, que em um minuto e meio foi retwittado mais de mil vezes. Foi muito rápido, eu não esperava mesmo.

Relação com São Fidélis:

– A pergunta que me foi feita lá na hora, foi de onde eu vinha. Eu estava vindo de Rio das Ostras, moro lá há 11 anos. Naquele documentário que passa antes da gente cantar, que é o perfil, eu dei uma entrevista, e nela eu falava que tinha nascido em São Fidélis, interior do estado. No meu perfil, no Gshow, também está escrito que eu sou de São Fidélis. Mas não dá para passar tudo que a gente fala. Cada um tem um tempo para ficar no ar, porque são vários candidatos por noite. Tudo o que eu disse lá foi muito sintetizado, eu tinha dito muito mais, inclusive que eu sou de São Fidélis. Eu não tinha motivo para não falar que sou de São Fidélis, embora São Fidélis nunca tivesse uma relação muito boa comigo. Nunca neguei São Fidélis, porque a cidade não é só ‘algumas pessoas’.

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Foto: Reprodução/Facebook.

Volta à cidade natal:

– Está sendo bem legal, as pessoas são muito equilibradas (risos). São Fidélis está ótima comigo agora. Eu acho que se eles tinham algum problema comigo, agora está justificado (risos). É algo muito subjetivo, porque em casa também era assim. Quando você faz alguma coisa diferente, tudo em volta de você é incerto. Eu estudei música, então tudo é incerto. Mas quando você entra e a galera vê o que você aconteceu, que você estava certo o tempo todo, fica difícil continuar te chamando de doido (risos). Eu tenho alvará para ser louco, eu posso fazer o que eu quiser (risos).

Objetivos na sequência do The Voice:

– Vão ter um trabalho para me tirar de lá. Vai ser difícil me superar lá dentro. As batalhas estão chegando, é um outro passo bem tenso, porque você se submete a julgamentos. Na verdade, todo mundo é julgado todo dia, seja em casa, no trabalho, pelos amigos. Todo mundo é avaliado constantemente. Mas quando você se coloca numa posição de ser julgado em rede nacional, você está sujeito à duas coisas que são muito difíceis para um artista: primeiro é construir um pensamento em massa de que o julgamento que está sendo feito sobre você é certo, e a segunda parte é que o julgamento feito sobre você, nem sempre é certo. Então é complicado. Os jurados fazem o melhor que eles podem, mas música é uma questão de gosto. É difícil você fazer uma competição de quem canta mais. As vezes as pessoas tem timbres totalmente diferentes, é difícil julgar.

Paixão por tatuagens:

– Eu amo tatuagens. Tem gente que faz tatuagens com significados, mas eu acho que só duas das minhas têm. Eu faço tatuagens porque eu gosto de tatuagens. Por exemplo: eu gosto de tatuagens de bicho, então eu tenho uns bem loucos. Tenho um gato, um galo, um urso, um veado, uma coruja. Quero fazer uma vaca, uma raposa. Eu gosto de tatuagem e ponto final. As duas únicas que têm significados são a do símbolo do iluminismo no braço e uma do nome de Deus escrito em hebraico na orelha. Agora, eu não faria tatuagem com nome de ninguém, porque certas coisas são para ser guardadas no coração e na lembrança.

Recado para São Fidélis e Rio das Ostras:

– As duas cidades vão ficar na torcida. O recado que eu deixo para São Fidélis e para Rio das Ostras é: foca em mim, gente (risos). É muito bom você ter pessoas que te apoiam. Dentro do programa é muito necessário ter esse apoio. Eu não posso dizer que eu sou só de São Fidélis, ou só de Rio das Ostras. Eu estou lá lutando por mim. As pessoas estão me apoiando.

SFn