terça-feira , 20 agosto 2019

Suspeitos de estupro coletivo em Cordeiro dizem que relação foi consentida e que celular com o vídeo foi furtado A advogada da vítima disse que sua cliente sofreu ameaças e julgamentos nas redes sociais, e algumas amigas até pediram para que a jovem excluísse as fotos em que essas amigas aparecem com ela. A advogada disse também que já identificou 60 pessoas que postaram mensagens nas redes sociais dizendo que viram o vídeo

A advogada da vítima disse que sua cliente sofreu ameaças e julgamentos nas redes sociais, e algumas amigas até pediram para que a jovem excluísse as fotos em que essas amigas aparecem com ela. A advogada disse também que já identificou 60 pessoas que postaram mensagens nas redes sociais dizendo que viram o vídeo

Fotos: SF Notícias

Todos os três suspeitos de envolvimento no caso de estupro coletivo ocorrido em Cordeiro já prestaram depoimento. Segundo o delegado responsável pelo caso, Robson Pizzo, eles alegam que a relação com a jovem, de 22 anos, teria sido consentida, e que o compartilhamento das imagens aconteceu após o celular em que o vídeo estava ter sido furtado. As imagens da vítima tendo relação com os três envolvidos foram compartilhadas em vários grupos de WhatsApp. O delegado confirmou que o local onde as imagens foram gravadas é a casa de um dos suspeitos. Quatro testemunhas também já prestaram depoimento. O caso foi revelado pelo SF Notícias e ganhou destaque em todo o estado, chocando moradores de Cordeiro e cidades vizinhas.

Em seu perfil em uma rede social, a vítima fez uma postagem e pediu para que as pessoas parem de compartilhar o vídeo. “Quero agradecer as mensagens de carinho de amigos e familiares. Estou bem, mas infelizmente fui vítima de um crime e as providências legais já estão sendo tomadas através da delegacia e da minha advogada. Peço que não incentivem o compartilhamento, pois além de me prejudicar, estes também serão investigados“, postou a jovem. O delegado não divulgou mais detalhes sobre a investigação, já que o caso está sob sigilo. A vítima já passou por exame de corpo de delito, já tomou remédios antivirais no Hospital Raul Sertã, em Friburgo, e já fez exame de sangue que deu negativo para doenças sexualmente transmissíveis.

A vítima contou que estava na Festa dos Carecas, em Cantagalo, no último dia 13 de julho, quando acabou encontrando com um conhecido e tomou um copo de cerveja oferecido pelo colega. Em um determinado o momento o rapaz teria dito que precisava pegar algo no carro e a jovem acabou lhe acompanhando, mas no caminho para o carro ela começou a se sentir mal. As informações foram passadas ao SF Notícias pela advogada Valéria Melo, que representa a jovem. A polícia investiga se a jovem foi vítima do golpe chamado “Boa Noite, Cinderela”. Ainda de acordo com a advogada, a vítima só conhece os outros dois envolvidos de vista. Valéria informou que sua cliente sofreu ameaças e julgamentos nas redes sociais, por isso, decidiu excluir seus perfis. Algumas amigas se afastaram e até pediram para que a jovem excluísse as fotos em que essas amigas aparecem com ela.

Em relação ao vídeo, a advogada disse que no dia seguinte ao fato, sua cliente recebeu uma mensagem de um perfil fake, mas que ela ignorou a mensagem. Ela disse também que a vítima só descobriu o que aconteceu quando uma amiga lhe mostrou o vídeo, no dia 20 de julho. No mesmo dia ela procurou a 154ª Delegacia Legal de Cordeiro para registrar o crime. Já em relação à alegação dos suspeitos, de que o celular em que o vídeo estava teria sido furtado, a advogada diz não acreditar na versão, e que está reunindo provas para contestá-la. A advogada disse ainda que reuniu prints de postagens em redes sociais de pessoas que comentaram que viram o vídeo. Segundo a advogada, ela já conseguiu identificar aproximadamente 60 pessoas. Essas pessoas podem até responder judicialmente com base no Artigo 218 do Código Penal (Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, vender ou expor à venda, distribuir, publicar ou divulgar, por qualquer meio – inclusive por meio de comunicação de massa ou sistema de informática ou telemática -, fotografia, vídeo ou outro registro audiovisual que contenha cena de estupro ou de estupro de vulnerável ou que faça apologia ou induza a sua prática, ou, sem o consentimento da vítima, cena de sexo, nudez ou pornografia).


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