‘Vida por um fio’: Uso de linha chilena ou com cerol traz riscos à população Principais vítimas são os motociclistas; No RJ, além da comercialização ser proibida, quem usa esses tipos de linha está sujeito à multa

Principais vítimas são os motociclistas; No RJ, além da comercialização ser proibida, quem usa esses tipos de linha está sujeito à multa

Fotos: Ilustrativas/ Reprodução

Nos últimos dias o assunto ganhou as redes sociais. Diversas imagens de vítimas com ferimentos graves foram compartilhadas, alertando sobre as tragédias que a linha chilena ou com cerol podem provocar. O caso de um adolescente de 15 anos, que teve uma perna amputada devido a um ferimento profundo provocado por uma linha chilena também chocou os internautas. Ele sonhava em ser jogador de futebol e voltava de um treino quando foi atingido pela linha em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte.

O assunto se intensificou principalmente devido ao período de férias escolares, quando crianças e jovens usam o tempo livre para soltar pipa. A brincadeira, entretanto, deixa de ser inocente com o uso desses tipos de linha. O cerol, é feito de uma mistura de pó de vidro e cola, enquanto a linha chilena pode trazer em sua composição pó de quartzo e alumínio, sendo a mais perigosa. Os motociclistas são as principais vítimas destas linhas que provocam lesões graves, ou mesmo à morte quando atingem o pescoço, por exemplo.

Na última segunda-feira (29/07) a partir de informações repassadas pelo Linha Verde, programa do Disque Denúncia do Rio voltado para meio ambiente, policiais militares apreenderam mais de 200 tubos de linha chilena na baixada fluminense. No local funcionava uma fábrica clandestina de cerol e linha chilena. Os policiais encontraram dois sacos contendo 30 tubos de linha chilena. 

Questionado pelos militares, o responsável informou que comercializava o material juntamente com diversas pipas que produzia. Ao final da operação, que ocorreu também em São João de Meriti, a polícia conseguiu apreender cerca de 200 tubos de linha chilena e o responsável foi encaminhado à 54ª DP, com base no artigo 56 da lei de crimes ambientais.

No dia 19 de julho foi sancionada a Lei 8.478, de autoria do deputado Marcio Gualberto (PSL), que altera a lei que proibiu a venda e uso do cerol e linha chilena no estado do Rio (Lei 7.784/17). A norma veda a utilização de qualquer produto na prática de soltar pipa que possua elementos ou substâncias cortantes, e cria uma multa para quem for flagrado portando ou usando qualquer uma das substâncias. A legislação anterior punia apenas o comerciante e fabricante do cerol.

Em caso de flagrante de compra, uso, porte ou posse dos materiais o infrator pagará multa de 100 UFIR-RJ, o equivalente a R$ 342,11. Sendo o infrator menor de idade, ele e seu representante legal deverão ser notificados para efetuarem a quitação em âmbito administrativo. “A lei que já existia punia com multa administrativa apenas os comerciantes que punham à venda ou fabricassem esses materiais sem, no entanto, punir os usuários. São esses usuários que provocam os diversos acidentes que diariamente vemos em nosso estado. Por isso, é importante fazer com que essas pessoas sejam responsabilizadas e que essas multas sejam convertidas em atendimento às vítimas que elas mesmas provocaram”, defendeu o autor da nova lei.

A população pode denunciar locais de fabricação e comercialização de cerol e linha chilena pelos telefones 2253-1177 e 0300 253 1177 (interior do estado, custo de ligação local) ou ainda pelo aplicativo “Disque Denúncia RJ”. O anonimato é garantido e o denunciante ajuda a salvar vidas.

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